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Análise: Dark Messiah of Might & Magic (PC)

Dark Messiah of Might & Magic

Hallo

Opa, não vos ouvi a clicar no site. Por favor, sentem-se, vão ser distribuídos snacks mais logo.

Esta é a primeira de uma série de análises/resumos que eu vou escrever aqui no blog e, sinceramente, também o primeiro texto a sério que escrevo aqui. Wish me luck.

Vá lá, larguem a BGamer e leiam isto, por favor.

Dark Messiah (DM para os amigos) é o segundo jogo dos Arkane Studios, uma equipa francesa que até então tinha apenas criado Arx Fatalis, um RPG inspirado nos old school Ultima Underworld, que foi muito bem recebido pelos fans deste tipo de jogos. Este jogo tinha uma perspectiva na primeira pessoa e já mostrava a capacidade dos Arkane Studios de criar bons jogos, com atenção ao detalhe.

Pois bem, Dark Messiah pertence ao universo de Might & Magic mas é muito diferente de qualquer um dos jogos desta série. Isto deve-se a uma tentativa da Ubisoft (a empresa a que a série pertence) de alargar os horizontes da franchise e “agarrar” novos jogadores, visto que jogos old school (lá está o termo outra vez) como Might & Magic começaram a perder o fôlego no começo dos anos 2000, pelo menos quando comparados com outras franchises aos olhos do público em geral.

Ainda estão comigo? Ok! Vamos à jogabilidade.

A jogabilidade deste jogo é um pouco peculiar, pelo menos no que toca à altura em que foi lançado (2006), quando não havia (quase..) nada parecido. Este é um jogo na primeira pessoa que se joga tal e qual como um FPS… mas com espadas e magia (ahh, Might & Magic!).

Em termos de estrutura, a ideia básica é que este é um jogo linear, como qualquer outro FPS, mas em vez de sermos apenas o típico commando, ou neste caso, Conan, o Bárbaro, temos também a opção de enveredar pelas profissões de Assassino ou Mago, ou até de combinar habilidades de cada profissão e assim criar uma espécie de híbrido.

Outra novidade deste jogo é que ao longo da aventura vamos ganhando novos pontos por cada missão completada que podemos depois gastar em upgrades, ou seja, em habilidades de combate (combate com espadas, uso de arco e flecha), habilidades de magia (bolas de fogo, gelo, telekinesis, etc) ou habilidades de percepção e infiltração. Acabamos assim a criar uma das 3 profissões ou um híbrido de classes.

Vejam aqui um exemplo do sistema de pontos e upgrades inspirados nos RPGs.

Além disto podemos também apanhar as armas dos inimigos e várias armaduras durante o jogo que nos permitem aguentar as hordes melhor. Claro que apanhar items e  equipar armaduras é uma das coisas mais habituais em jogos FPS mas, o que é que acontece quando isto tudo é aplicado a um tema medieval? É claro, torna-se numa espécie de RPG, o que faz sentido visto que jogos como o Doom ou Wolfenstein 3D foram também inspirados pelos RPG antigos na primeira pessoa.

O combate

É um Duel of Fates com orcs

Mas a boa surpresa aqui é que, não só a Arkane foi (quase) pioneira ao lançar um simulador de combate medieval, mas também conseguiram neste mesmo jogo aperfeiçoar a sua jogabilidade.

O combate neste jogo é fantástico, e uma das razões porque as pessoas que já jogaram a este jogo continuam a voltar a ele, outra vez e outra vez, mesmo sem expansion packs ou sequelas.

A Arkane esforçou-se para dar ao jogador a impressão de que o combate é visceral e que estão mesmo a controlar uma pessoa, a andar, correr, saltar e a atacar os inimigos. Não estão apenas a deslizar pelo mapa a tocar em orcs como em muitos jogos FPS. Todo o corpo da vossa personagem é vísivel e o ecrã vira-se e abana-se na direcção que seguirem (pensem no Mirror’s Edge). Imersão total.

E como este jogo é baseado no motor Source, o mesmo do Half Life 2, as físicas são também aqui muito usadas. Podem aqui se divertir atirando guardas de escadas abaixo, uns contra os outros, disparando flechas contra suportes, fazendo objectos cair em cima de goblins ou até atirar caixas (ou garfos, pratos) ao inimígo mais próximo. É realmente uma luta de bar às vezes.

Não vou aqui mostrar e explicar todos os poderes, ataques e habilidades que ganham mas dou um resumo:

As classes:

Chamem-me Legolas

No lado do bárbaro têm ao dispor espadas, com a adição de escudos para combates mano-a-mano, com a possibilidade de encher uma barra de stamina que vos permite correr, pontapear inimigos para os afastar e ganhar tempo precioso, ou também, quando a barra de especial se enche, executar um autêntica fatality com direito a slow motion e tudo. É baril. Considero esta a via mais fácil.

No lado do mago têm acesso a equipamento e armas mágicas e claro, vários poderes. Entre estes o telekinesis (atirem pedras a orcs com o poder da mente), gelo (congelem guardas ou ponham o chão escorregadio 😉 ou as típicas bolas de fogo, entre outros. Aqui também podem usar a barra de especial cheia para ganharem mais poder no ataques (ex.: usem o telekinesis agora não só para pegar em pedras, mas também para pegar nos próprios orcs, o que é sempre divertido).

E no lado do assassino, podem esconder-se nas sombras e aprender as rotinas dos inímigos para os matarem sem levantar muitas suspeitas, seja com facas nas costas ou com flechas, ao longe. Aqui podem também usar as físicas para distrair ou atacar os inímigos, claro. Por exemplo, podem disparar uma flecha para um suporte numa plataforma com barris, para fazer estes cairem em cima de um guarda, alertando os outros, distraindo-os. Esta é facilmente a via mais difícil ;).

Claro que isto tudo está disponível para todos. Evoluem a vossa personagem como quiserem e usam o que quiserem. Não precisam de ficar restringidos a uma classe (e aconsenho que não no primeiro jogo).

O mau e o resto

A inteligência artificial deste jogo é curiosa. Por um lado, os inimigos são espertos o suficiente para chamarem e procurarem grupos e esquivarem-se para trás do jogador se vocês não estiverem atentos ou até fugirem e pedirem ajuda quando os joelhos já doem. Mas por outro lado também têm o hábito irritante (se bem que raro) de atacarem antes das suas espadas fazerem contacto connosco. Mais, os guardas parecem ser muito erráticos no que toca a infiltrações. Tão depressa descobrem o jogador como não… Por isto mesmo recomendo a jogarem só no modo Normal.

Outra crítica também dada ao jogo é que o pontapé do jogador é demasiado poderoso e que, de maneira a promover e mostrar as físicas fantásticas do jogo, os níveis têm demasiados locais onde há picos encostados a paredes. Ou seja, podem passar uma grande parte do jogo simplesmente a pontapear inimígos de escadas abaixo, contra fogos ou, mais comúm, contra os numerosos picos (deve ser uma moda de arquitectura lá).

Quanto à história do jogo, não é má e até tem vários finais, dependendo se forem bonzinhos ou o filho de Satan, mas as vozes e ás vezes a execução são totalmente ridículas e dignas de um bom B-movie.

Então, porque é que este jogo épico, com bons valores de produção , foi ignorado no lançamento perguntam voçês?

Bem, o jogo foi lançado um bocado à pressa e portanto, saiu para as lojas cheio de bugs e vários problemas de estabilidade. No entanto, 99% destes problemas foram resolvidos pouco depois com um mega patch e hoje em dia o jogo corre como manteiga, desde que tenham o patch, que costuma até vir já instalado nas versões mais recentes do jogo. Mas pronto, o dano já estava feito e a percepção do jogo tem vindo a sofrer por esta razão.

Resumindo e concluindo, este é definitivamente um dos jogos mais divertidos que já alguma vez joguei e daqueles em que vão voltar vezes e vezes sem conta para jogar outra vez, só porque é tão… divertido.

E afinal de contas, o que é que interessa mesmo num jogo?

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6 comments on “Análise: Dark Messiah of Might & Magic (PC)

  1. Esta série sempre me passou um pouco ao lado… agora que estou a redescobrir os RPGs ocidentais (mesmo com os Elder Scrolls e Ultimas antigos) pode ser que eventualmente dê uma oportunidade a estes. Venha o próximo artigo 🙂

    • Boas, desculpa-me o atraso a responder. Pensei que já tinha respondido a isto xD.

      O jogo é mais um jogo de acção do que um RPG, e tem as suas falhas, mas não deixa de ter um combate fantástico. Se alguma vez o jogares só não te esqueças de instalar o patch (a não ser que seja Steam claro).

  2. Só para dizer que acabei por comprar este jogo recentemente, espero começá-lo nas próximas semanas. Vai ser um warmup antes de me voltar a emaranhar nos Elder Scrolls – Morrowind e Oblivion respectivamente.

    • Se quiseres jogá-lo como um warmup aviso-te já que vais ficar desapontado quando jogares Morrowind ou Oblivion 🙂 visto que o Dark Messiah tem um sistema de combate muito mais complexo e satisfatório. Vai parecer um downgrade.

      Também já tentei jogar a esses 2 jogos mas o motor de jogo que a Bethesda criou para o Morrowind e Oblivion é de tal maneira mal optimizado que se recusa a funcionar a mais de 20 fps em muitos computadores com hardware mais antigo/recente que o da altura de lançamento. É pena porque até havia uns mods que melhoravam o combate.

      Já agora, quando jogares ao Dark Messiah, aconselho-te a experimentar com o cenário e magias e até um pouco de stealth com o arco e flecha (mas não vale a pena usar muito o stealth porque a IA dos soldados é muito irregular para isso).

      • Eu estou habituado aos glitchs da Bethesda… terminei a muito custo o Elder Scrolls Arena no DosBox, já o Daggerfall desisti a meio pois há uma série de quests que dão bugs e crasham o jogo, forçando a desistir da quest ou usar um savefile antigo que eu muitas vezes não tinha. Já venho preparado para ter experiências semelhantes nos restantes jogos da série. 🙂
        Em relação a este jogo, vou seguir a tua dica.

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