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Análise: Jet Set Radio (DC,PSN,XBLA,Steam,Vita,Android e Iphone)

Jet Set Radio – Retrospectiva

Bem vindos a Tokyo-to, a cidade mais louca que já viram, a metropolis que nunca dorme, a cidade onde tudo é colorido e parvo e onde adolescentes vestem fatos ridículos e saltam para a rua em patins em linha de modo a espalhar graffiti e revolução ao som da música mais caótica que já ouviram.

Preparem-se para um jogo que é tudo menos súbtil.

Bem vindos a Jet Set Radioooo!

Este artwork é da capa Japonesa. For real.

Uma consola de sonho

Havia uma altura em que a SEGA era conhecida pela sua mestria na criação de jogos, especialmente no que toca a jogos mais arcada. Infelizmente e, tirando uma ou outra exceção (Outrun 2, Panzer Dragoon Orta), essa era acabou com a sua ultima grande consola, a *bateria por favor maestro* Dreamcast.

Mas a SEGA deixou o melhor para o fim. A Dreamcast teve uma vida curta e excitante e isso refletiu-se não só na qualidade, mas também na vivência dos seus jogos. As minhas memórias de jogar Dreamcast em miúdo são de jogos coloridos e barulhentos (Jet Set Radio, Crazy Taxi, Skies of Arcadia), a maior parte deles arcada, jogos que não tinham que durar mais que 5 minutos mas que acabava a jogar até às tantas da madrugada.

A PS2 podia ter muitos bons jogos e uns quantos obscuros excelentes, mas aquela caixa preta que mais parecia (e era) a reencarnação da Mega Drive, completa com Blast Processing e tudo (a Emotion Engine Ó_o) não transpira JOGOS como a minha querida caixinha albina que nos trazia clássicos como Soul Calibur, Space Channel 5, Chu-Chu Rocket, Sonic, Power Stone ou Skies of Arcadia. Por favor, não leiam isto como uma metáfora racista, eu apenas acho que a Dreamcast tem um design mais simples, limpo e engraçado que a Darth Playstation Vader 😛

Isto transporta-me para uma altura em que a SEGA realmente apostava mais na originalidade. Uma altura em que os céus não eram castanhos/cinzentos nos jogos. Eram AZUIS!

I was goin’bout the town…

 

Damn punks…

Ok, o pôr-do-Sol também é giro… Mas este céu continua a ter um aspecto fantástico de qualquer maneira.

Em 1998, a SEGA inaugurou uma nova equipa de criação de jogos a partir das cinzas da Team Andromeda, criadores de Panzer Dragoon, e da Team Aquila, criadores de vários jogos de futebol da companhia. Esta nova equipa chamava-se Smilebit e veio a criar vários jogos de culto (Typing of the Dead, GunValkyrie e, sim, Jet Set Radio) e uma multitude de jogos de desporto (Virtua Striker anyone?).

E qual foi o primeiro jogo a sair das portas da Smilebit? Claro, foi o Jet Set Radio.

A história do jogo dita que vocês, Beat, o protagonista com o headset e óculos ridículos, fugiram de casa e decidiram juntar pessoal da rua (os chamados Rudies) e criar um gang de cromos do grafitti que se auto-intitulam os GG (não me perguntem…) e têm como mentor e mascote o DJ Professor K (ou será brofessor?), um tipo muito mexido e meio senil que gosta de atiçar os cães da autoridade com a sua rádio pirata.

Não se preocupem, isto é só um jogo, não tem que fazer muito sentido.

Pois bem, e acontece que, ultimamente, as ruas começaram a ser invadidas por novos gangs que estão decididos a conquistar o seu pedaço de Tokyo-to e pior, parece que eles não estão sozinhos nessa “aventura”.

Na minha opinião, o Jet Set Radio é o jogo que exemplifica a Dreamcast e os seus jogos perfeitamente. Muito colorido e jovial, simples, barulhento e divertido.

Vamos à Jogabilidade

O objectivo do jogo é ir conquistando as várias áreas (níveis) da cidade pintando os nossos graffities por cima das atrocidades dos outros gangs, e temos que fazer isto tudo dentro de um tempo limite. Se já estão familiarizados com séries de jogos como Tony Hawk (ou qualquer outro jogo de desportos radicais europeu/americano) então esqueçam. Aqui podem fazer truques mas não têm muito controlo sobre eles e estes não são necessários para acabar os níveis (mas ajudam a uma boa classificação final).

O foco do jogo são mesmo os grafitties que têm que pintar ao longo do nível antes que o tempo acabe. Para fazer isto têm que percorrer todos os cantos do nível à procura de latas de spray, podendo até ganhar umas extra se forem de encontrão a um membro do gang rival ocupado com um qualquer graffiti.

Quando começam a pintar um graffiti novo (a que chama-mos tagging) começa um minijogo em que têm que rodar o analógico para várias posições de modo a pintar cada secção do desenho. Claro que com isto vão perdendo as latas de spray. Existem também personagens que têm um nível mais alto de proficiência em graffities mas isto não vos facilita o trabalho, por outro lado, estas personagens têm minijogos de tagging mais difíceis que, no entanto, dão muito mais pontos. São óptimas para ganhar um rank de Jet em alguns níveis.

Também têm a opção de criar os vossos próprios graffities se se sentirem criativos.

À medida que vão acabando níveis no jogo, vão aparecendo também novas personagens que estão interessadas em juntar-se ao vosso gang. No entanto, estas são tramadas e, se quiserem tê-las no vosso grupo, têm que ganhar desafios que elas vos propõem. Estes normalmente são segmentos onde têm que imitar cada movimento e truque que eles fazem (acabando assim a aprender uns truquezitos novos). Mais tarde passam também a preferir simples corridas.

Vamos voltar aos gangs rivais.

Os gangs rivais que vão ter que enfrentar são as Love Shockers, um bando de miúdas frustradas pelo amor que invadiram Shibuya (provavelmente a pintar graffities que insultam os ex-namorados), os Poison Jam, um grupo de fanáticos de filmes de terror e gore que se vestem como monstros e patrulham Kogane em busca de presas para aterrorizar e, por fim, os Noise Tanks, uber-geeks (ou otaku) de corpo e alma. Estes seres estranhos parecem astronautas e usam todo o tipo de gadgets para facilitar a sua vida nas ruas de Benten.

O objectivo é então, conquistar cada área pintando sobre os graffities destes gangs dentro do tempo limite. Estes graffities são indicados por setas vermelhas (obrigatórios para acabar o nível) ou verdes (secundários, ou seja, só servem para completar o nível a 100% com uma melhor classificação, de maneira a desbloquear personagens extra).

Eu sou mau!!

À medida que o jogo avança também vão dar de caras com o capitão Onishima e seu exército de policias. Este tipo odeia mesmo os “punks” que sujam a sua cidade mas, sinceramente, ele é provavelmente o maior perigo das redondezas. Eu quando digo que ele tem um exército de polícias, não digo isto a brincar. À medida que avançam no jogo a vossa brincadeira de graffities passa a ser castigada com helicópteros, tropas de pára-quedas e até *gasp* tanques.

Um toque de génio no jogo é que o capitão e helicópteros têm setas verdes a planar em cima, o que quer dizer que os podem incapacitar uma tag de graffiti bem colocada. Isto também se aplica aos gangas rivais, visto que, quando conquistarem todas as áreas que pertencem a um gang, este vai vos desafiar para um nível de Boss em que têm que perseguir os 3 membros do gang, evitarem ser atropelados por eles e pintá-los com graffiti.

Acabou-se a tinta

Este jogo, no entanto, não está isento de falhas. Longe disso. Há muita gente que não gosta da maneira como o botão de boost (o trigger R) parece ter um tempo de espera ou uma resistência ao toque, ou a as físicas “flutuantes” do jogo em que um toquezinho no botão de salto pode nos enviar para tudo menos o local onde queríamos aterrar.

E por fim, a falta de botões dedicados à manutenção da câmara (temos apenas um botão para a centrar nas costas do skater) também dá problemas ocasionais, algo que também está presente noutros jogos da Dreamcast graças à falta de botões do comando (os jogos do Sonic são um bom exemplo disto).

Estas irritações são, bem… irritantes mas não são nada que não se ultrapasse com um pouco de habituação e são problemas menores. O verdadeiro problema, na minha opinião, é outro…

Depois de passarem os níveis iniciais do jogo, ganham acesso a super níveis que combinam as várias áreas de cada distrito numa grande área sem tempos de loading em que têm mais uma vez que pintar um número de setas.

O verdadeiro desafio nestes níveis não é pintar o número ínfimo de setas vermelhas obrigatórias mas sim as dezenas de setas verdes secundárias espalhadas pelo nível. E é mesmo aqui que está o grande erro do jogo. O problema é que, não só o mapa a que temos acesso é extremamente limitado, não dando grande noção de onde estamos neste grande conjunto de áreas, mas também não nos diz onde estão as setas verdes.

E qual é o resultado desta brincadeira? Pois, acabo eu a perder um nível já grandito por meros segundos porque tive que saltar de vários corrimões, sair do meu caminho, e voltar para trás para ter a certeza que aquele becozinho da treta não tinha uma seta verde lá escondida. Isto seria normal se eu não tivesse um tempo limite em cada área, ou se pudesse voltar a fazer um nível anterior no modo de história, ou se os graffities ficassem permanentemente lá, pintados, depois de sair do nível. Basicamente, isto só funcionaria bem se eu estivesse a jogar ao Jet Set Radio Future, mas isso é uma história para outro dia…

E esse dia há de chegar… Eu recentemente adquiri uma Xbox original e e o Jet Set Radio Future mas ainda não o acabei. Talvez quando o acabar eu escreva aqui um artigo sobre esse jogo também. Até lá, é defender as ruas de outros cromos.

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6 comments on “Análise: Jet Set Radio (DC,PSN,XBLA,Steam,Vita,Android e Iphone)

  1. Parece ser um jogo há maneira. Faz me lembrar um pouco o “Crazy Taxi” em patins com mini jogos (o que é bom) hei-de experimentar isso algum dia. Venham mais posts!

  2. Este é daqueles que muito provavelmente comprarei em breve!

  3. […] em todas as frentes e até se tornarem em mais que a soma das suas partes, mas este é um deles (e Jet Set Radio também, não se esqueçam que já foi relançado para todas as plataformas em existência, […]

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