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Análise: Looney Tunes Space Race (DC,PS2)

Mais uma análise, mais um jogo da Dreamcast

As licenças costumam ser encaradas como um mau sinal num jogo. Um sinal de que a jogabilidade vai sofrer em virtude do dinheiro fácil feito à conta do Mickey ou do Scooby Doo, sem atenção nenhuma dada ao jogo em si. Mas nem sempre foi assim. É verdade que maus jogos licenciados já existem desde as primeiras consolas domésticas. A Atari 2600 foi um bom exemplo disto.

Mas num tempo longínquo, antes da Playstation e dos seus CD-Roms baratos, eram também comuns os bons jogos licenciados. Jogos como Aladdin, Maui Mallard, Quackshot, Duck Tales, The Lion King, Empire Strikes Back ou Goof Troop faziam as delicias de miúdos e graúdos à espera de controlar as suas personagens favoritas. Infelizmente, isto tudo parece ter acabado com o advento da tal caixa cinzenta, a Playstation.

…ou talvez não.

De vez em quando há uma editora que decide, por incrível que pareça, ir contra a tendência do mercado e lançar um jogo licenciado realmente bom. A francesa Infogrames, que tinha debaixo da sua asa estúdios de qualidade como a Beam Software, Reflections Interactive ou a Ocean, foi uma destas editoras, que entre 1999 e 2001 foi responsável por alguns dos melhores jogos baseados em licenças de que há memória.

Eu vou falar de um destes jogos aqui no blog,  o Looney Tunes Space Race, lançado para a Dreamcast em 2001 e mais tarde convertido para a Playstation 2. À primeira vista este parece ser apenas mais um clone de Mario Kart, coisa que decerto levou muita gente a ignorá-lo na altura. Mas se gostam de jogos de corridas arcada estariam a cometer um grande erro se o ignorassem. Afinal de contas, um livro não se julga pela sua capa.

O video acima mostra a introdução (aos 0:40) e um pouco da jogabilidade da versão PS2.

Finalmente, vamos ao jogo:

I say, boy, pay attention when I’m talkin’ to ya, boy

A primeira coisa que notam assim que o jogo inicia é a atenção que foi dada ao universo do jogo. A Melbourne House e a Infogrames podiam ter simplesmente seguido a via mais fácil de por o nome de Looney Tunes num jogo de Karts juntamente com umas texturas mais cartoon e lançá-lo assim, mas por incrível que pareça deram-se mesmo ao trabalho de fazer deste jogo um episódio digno da série de desenhos animados, com uma apresentação fantástica.

A Infogrames voltou a usar a técnica de Cel-Shading (que já tinha dado cartas em Wacky Races, outro jogo de Karts da editora, cuja popularidade ajudou à criação deste jogo) para recriar o look dos cartoons originais, o que, juntamente com os excelentes modelos, texturas e animações, fazem deste um dos jogos mais polidos da Dreamcast. Como já disse, muita atenção foi dada ao mundo de jogo e tudo o que estamos à espera de um episódio dos Looney Tunes marca presença nas corridas de um modo que faz sentido.

Os ecrãs de Loading têm placas a dizer “Made in Technocolor” (a versão futurista de Technicolor), as pistas futuristas estão repletas de aparições de “extras” dos Looney Tunes, os power-ups que usamos contra os outros corredores são típicos da série (com animações à altura) e de vez em quando uma queda de um elefante cor-de-rosa em cima de algum condutor provoca a equipa jornalística de Foghorn Leghorn e Lola Bunny a darem a sua opinião da situação. E isto tudo é complementado por algumas das melhores animações que já vi num jogo (especialmente para a altura de lançamento). No que toca ao som, as músicas são boas e muito apropriadas. As vozes também estão lá como deviam e as piadas têm realmente piada. Resumindo, é um jogo divertido de se jogar e ver a jogar.

A Jogabilidade

“Ouch.”

Mas a razão para eu estar aqui a falar deste jogo não é só a sua apresentação. É verdade que este jogo não deixa de ter muitas das manhas típicas do Mario Kart (e clones) e nem sequer tenta corrigir alguns dos problemas mais comuns do género. As personagens têm diferenças notórias na condução mas nada no jogo nos indica os stats, alguns dos itens (chamados de gags) que recebemos são praticamente redundantes (para quê usar uma luva de boxe de curto alcance quando posso apanhar uma pistola de lasers?) e a Inteligência Artificial é tão batoteira aqui como no jogo do Mario. As pistas também podiam beneficiar de mais armadilhas e eventos, tendo em conta que o jogo é inspirado nos malucos dos Looney Tunes(as corridas tornam-se aborrecidas quando só temos que andar em frente na maior parte do trajecto).

Mas este clone vale a pena jogar porque ainda assim se consegue distanciar de Mario Kart em certos pormenores.

A começar pela condução. Aqui estamos a controlar naves, não Karts ou carros de corrida. Portanto é natural que a condução acabe a emular mais um hoverboard do que os típicos pneus no asfalto. A condução em Space Race é divertida e vai buscar muita inspiração a jogos como Jet Rider ou Wipeout. É uma condução muito “solta” que não é costume ver num jogo de Karts. Além disto, as naves são muito rápidas, o que faz com que Space Race fique ainda mais perto de um jogo de corridas futurista do que de um Mario Kart.

Resumindo, é um jogo de Karts que se joga como uma espécie de Wipeout.

Ao longo das corridas também vamos ter direito a boosts. Estas são pequenas latas verdes de nitro que, ao coleccionarem cinco, vos dão um boost se carregarem no B. É uma alternativa mais divertida ao simples “passar pelas setas que têm boost na pista”.

Também existem alguns modos de jogo extra. Ao progredir pelo modo Arcada vamos coleccionando Acme Tokens que podemos gastar para desbloquear Acme Events. Estes são eventos em que são, por exemplo, obrigados a vencer uma corrida enquanto pianos/cofres/elefantes caem do céu (é tão divertido/frustrante como imaginam) ou chegar à meta com boosts ou gags infinitas. No entanto alguns destes eventos parecem ter sido atirados para lá só para encher (completar duas corridas?Completar uma corrida com 7 voltas? Para quê?).

Temos também acesso ao já típico Time Trial e ao longo do modo Arcada vamos ser desafiados por alguns dos Looney Tunes para corridas mano-a-mano.

Os Acme Tokens que ganhamos nestes modos podem também depois ser usados para desbloquear galerias de concept art ou outros extras.

Resta dizer que, no que toca à versão PS2, eu não a joguei, mas parece que as diferenças são: menus diferentes, a falta de alguns elementos nos fundos das pistas, música diferentes, uma frame rate mais estável em multiplayer, a falta de alguns eventos Acme (os mais inúteis?), um modo novo (Torneio, igual ao modo Arcada mas aqui acumulamos pontos/Acme Tokens ao fim de cada corrida à-lá Mario Kart) e talvez uma pista nova.

Resumindo, é um clone de Mario Kart com alguns problemas típicos mas com uma condução diferente e muito mais próxima de um Jet Rider ou Wipeout.

Deixo-vos aqui com um FAQ do jogo.

*Sigh*

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