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Once Upon a Time…

É de pequenino que se torce o pepino

Caso não saibam, eu ainda sou um “miúdo” de 20 anos de idade. É verdade que sou muito novo para poder apreciar a novidade que era o Spectrum e o Amiga, ou a guerra entre a Super Nintendo e a Mega Drive. E também é verdade que foi recentemente, e especialmente com a vinda do Xbox Live Arcade e dos jogos Indie, que a cena “Retro” chegou a ser popular, arrancando sorrisos a miúdos e graúdos com a simplicidade (e dificuldade!) do Super Meat Boy ou do Geometry Wars.

Mas, e tentando não parecer muito pretensioso com isto, o meu gosto pelas máquinas cinzentas (ou pretas) vem já de pequeno. Eu sou o mais novo de três irmãos, de longe, e, naturalmente, foi o quarto repleto de posters de Helloween, Turok, Judas Priest e Final Fantasy VII que me transformou na pessoa que sou hoje. Àh, isso, e uma cassete do Parque Jurássico.

Portanto, e mesmo que não me lembre, os videojogos (e Hard Rock dos anos 80) estiveram sempre à minha volta, deixando um echo de Dejá-Vu cada vez que pego num qualquer jogo antigo. O primeiro contacto que me lembro de ter frente a frente com um jogo foi quando fui com a minha mãe à casa de uma colega dela. O filho dessa colega tinha uma Mega CD. Já não me lembro se a televisão era mesmo grande ou se eu era mesmo pequeno, mas foi uma revelação. Quando cheguei lá estava o miúdo a jogar Sonic CD. Espectacular! Pouco depois ele desligou o jogo e eu peguei no segundo comando. Ele liga a consola com um jogo. É um daqueles cartuchos 3-em-1, que vem com o Super Hang-On, um outro jogo que não me ficou na memória (Collums?), e o jogo que ele acabou por escolher, Streets of Rage. Claro que, sendo um noob na altura, a única coisa que eu fazia era carregar continuamente no botão A e chamando a polícia, para desespero do meu colega que era mais sábio que eu e queria conservar as preciosas bazookas.

Foi amor à primeira vista

Já sabia o que queria, e assim que aprendi a ter lata, chateei os meus pais até receber a minha primeira consola, uma Playstation, no Natal de 1998, se bem me lembro, tinha eu seis anos. O meu primeiro jogo para a consola era uma aventura gráfica dos Tiny Toons mas a maior parte do meu tempo era passado agarrado às centenas de CDs de demos do meu irmão. Parece-me ridículo agora, mas na altura eu chegava a ter medo de jogar às demos do Medievil ou do Lifeforce Tenka, e nem me falem do Kurushi…

Kurushi: Existe coisa mais assustadora para um puto de 6 anos?

Entretanto, ocasionalmente, o meu irmão chamava os amigos para lhes mostrar o Gran Turismo ou outro jogo qualquer na Playstation, enquanto eu olhava confuso a partir do chão, a tentar perceber os termos técnicos sobre carros e condução de que eles falavam.

Mas a verdadeira revolução veio dois anos depois. Foi no Natal de 2000 que, para meu espanto, recebi o meu primeiro computador, um chasso velho da Singer que exibia o logótipo do Windows Me com orgulho. E não veio sozinho. O meu irmão na altura era o “Tech guy” da família e recebi dele dois emuladores para o computador, um da Mega Drive e um da Super Nintendo, e ambos estavam recheados de jogos (ou roms). Na altura as consolas e computadores dos meus irmãos já à muito se tinham desintegrado. A única peça de hardware que restava era um NES Zapper sem cabo que usava nas minhas brincadeiras, isso, e umas disquetes do Pitfall.

Mas ainda bem que tive acesso às consolas de 16 Bits e a todos os seus jogos. Foi graças aos emuladores que acabei a jogar a clássicos que de outra forma não poderia. Foi aqui que descobrir sozinho pérolas como Gunstar Heroes (Mega drive), Super Metroid (SNES), Quackshot (MD), Goof Troop (SN), Comix Zone (MD) ou Jurassic Park (SN) e apercebi-me em primeira mão do porquê de estes jogos serem considerados “muito bons” ou “clássicos”. Mais tarde vim também a descobrir que afinal, para minha surpresa, ainda existiam outras máquinas lançadas anteriormente às 16 Bits e comecei a ficar curioso.

E depois chegou aquela coisa:

Em finais de 2000 foi lançado na Europa o monstro que foi a Playstation 2 e era para mim, na altura, a melhor coisa do mundo. 

Mas não era minha, a Playstation 2 era a consola do meu irmão, que tinha trabalhado para a comprar aquando do lançamento cá em Portugal. Era a melhor coisa a vir a seguir aos Pokémons no Gameboy, e, tal como a Mega Drive 10 anos antes, era a consola mais badass do pedaço. Mas nem tudo estava perdido. Pouco tempo depois de comprar a PS2, o meu irmão deu-me a outra consola dele, a Dreamcast.

A Dreamcast foi a minha consola, aquela de que tenho melhores memórias. Há sempre uma consola/computador que preferimos acima de todas as outras e onde despendemos mais tempo, e a Dreamcast era a minha máquina de eleição. Pode-se dizer que uma grande parte da minha colecção de jogos da DC eram jogos de Arcada que não tinham mais que 5 minutos de divertimento naqueles CDs, mas no entanto, nunca passei tanto tempo agarrado a uma consola como passei com aquela caixa branca. Todos os dias a rotação era a mesma: Crazy Taxi 2, Jet Set Radio e Marvel vs Capcom 2. Claro que outros clássicos como Skies of Arcadia, Sonic Adventure 2, Resident Evil: Code Veronica e Headhunter também não me deixavam desviar o olhar da consola.

Aaahhh, bons tempos.

E foi assim, continuei a jogar PC, Playstation e Dreamcast até que as minhas duas consolas decidiram que estava na hora de irem para o céu dos videojogos. Depois fiquei-me pelo computador até hoje (pronto, comprei uma Xbox 1 usada este ano mas ninguém quer saber disso). Também foi só muito recentemente, com o já defunto programa e-escolas do governo, que finalmente tive a oportunidade de ter acesso à Internet em casa, e mesmo assim foi só mesmo a partir deste ano (2012) que passei a desfrutar do tráfego ilimitado. O meu computador, por virtude de ser da Singer ou não, também tinha o hábito de tirar férias e deixar de trabalhar de vez em quando. Isto tudo eventualmente levou-me a entreter-me de outra maneira, lendo todas as revistas da Multiconsolas, Bgamer e Mega Score (RIP) que tinha, a maior parte delas antigas e do meu irmão.

Mais tarde ele mudou-se e deu-me a colecção inteira de revistas que tinha a apanhar pó. Em dois ou três sacos grandes vinham montanhas de revistas sobre videojogos, a maior parte delas portuguesas, mas muitas delas também espanholas (Hobby Consolas, Super Juegos), inglesas (Gamesmaster, Edge), americanas (PSM) e até francesas (Joystiq) e iam desde 1996 a 2001.

Dinossauros, gajas boas e a Nintendo 64!

Como estive, na maior parte do tempo, fora de moda no que toca a consolas e nunca tive um computador que fosse uma bomba, fui também forçado a jogar com o que tinha. O que, sim, também envolvia emuladores de vários tipos (não me julguem). Às vezes pode ter parecido injusto para o João de 10 anos, não poder jogar Tekken Tag Tournament e ver aquela sequência de introdução fantástica todos os dias, mas com a experiência que tenho hoje em dia, não trocava o Skies of Arcadia, o Jet Set Radio ou o Chrono Trigger pelo privilégio, especialmente porque não tenho grande apreço por jogos de luta.

Desculpem-me se vos aborreci com esta história de origem enfadonha, mas achei que era apropriado mostrar a minha história de fundo e as razões porque gosto do que gosto.

Aqui vão uns links para os melhores sites sobre tudo o que é retro gaming:

www.fnintendo.net <– Excelente fórum português que inclui scans de revistas antigas.

http://www.1up.com/do/minisite?cId=3156908 <– O melhor podcast sobre jogos antigos que conheço.

www.hardcoregaming101.net <– O melhor blog sobre jogos antigos e obscuros. O dos seus contribuidores já trabalhou na Retro Gamer.

http://www.retrogamer.net <– A melhor revista de jogos em existência. Aqui fala-se de jogos, da sua produção e dos seus fans e não apenas dos últimos lançamentos. É uma revista inglesa, mas podem encomendar 3 CDs com todos os números antigos.

http://www.racketboy.com/ <— Tem excelentes listas dos melhores (e mais obscuros) jogos de muitas consolas.

http://retrowaretv.com/

http://cinemassacre.com/

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10 comments on “Once Upon a Time…

  1. Essas Hobby Consolas trazem-me recordações, tive tantas, entre outras publicações que referiste. Naquela época era a única fonte de informação credível (os amigos tinham gosto dúbios no que tocava a jogos). Quanto ao teu percurso, é interessante ver a diferença geracional de apenas 10 anos, no meu caso, onde a minha consola de eleição será sempre a Super Nintendo, lado a lado, com o Game Boy, coisas que tive por volta dos meus 11 anos e ainda hoje conservo em bom estado. E btw, Kurushi rocks! xD

    • O meu irmão mais velho era o gamer de serviço e tinha por hábito arranjar (nem sei como) revistas estrangeiras. Até revistas francesas e americanas ele tinha. E como não tinha internet (e durante muito tempo, nem tv cabo) tinha-me que contentar a ler reviews de jogos da Playstation de 1998 xD. Também diga-se de passagem que a Hobby Consolas estava sempre recheada de informação, incluindo Manga!

      A Super Nintendo pertence facilmente à lista de melhores consolas de sempre e aliás, foi graças a essa consola que descobri o Chrono Trigger, o meu RPG favorito 🙂 e um jogo que está no meu top 5.

      Mas também acho engraçado ouvir o meu irmão a falar dos “bons velhos tempos” a jogar Chuckie Egg e Trapdoor no Amiga e Spectrum 128k e dos tempos de loading de 15 minutos.

  2. Que optima leitura, é disto que gosto de ler em blogs =)

    O meu percurso é um pouco distinto, embora tivesse tido uma Famicom em puto só entrei a sério nisto já relativamente tarde (tinha uns 13 anos em 1996) com o PC, como tal não cheguei a viver muito intensamente as gerações dos 8 e 16 bit. Cresci com a golden age do PC, a década de 90 =)

    • Obrigado :), estava numa onda nostálgica e simplesmente comecei a escrever.

      Por muito estranho que pareça (e provavelmente graças a emuladores e à falta de potência do meu PC na altura) eu nunca fui realmente um PC gamer.

      Os únicos jogos para PC que me lembro de jogar e gostar muito eram o Escape from Monkey Island, o Zoo Tycoon e o Star Wars: Galactic Battlegrounds, que usava o motor do Age of Empires 2.
      Isso e os jogos Scumm da LucasArts como o Day of the Tentacle, Fate of Atlantis e o Full Throttle.Só recentemente é que comecei a procurar os jogos de PC mais conhecidos dos anos 90 como o X-Wing, Civilization, Wing Commander, etc.

      Aliás, eu devia ter adicionado isto ao artigo. Por muito ilógicos que fossem, eu gostava muito das aventuras da LucasArts e do seu sentido de humor. Talvez fique para outro artigo 🙂

  3. O meu primeiro contacto com uma consola também deve ter sido aos 5/6 anos… foi uma Mega Drive com o Sonic 1 e o Italia 90. Foi aí que o meu bichinho despertou, mas os meus pais nunca me deram consola nenhuma… tive de esperar mais uns 5 anos até eu ter uns 10 anos e chatear toda a gente na família que queria uma “Sega”. Conhecia de leve a NES e SNES, mas dos meus amigos só um tinha uma NES, o resto era tudo do lado “cool” da coisa. Ora isto foi na altura em que a Saturn estava a dar cartas e era caríssima. Lembro-me que custava algo em torno de 80 contos na moeda antiga e já trazia um Virtua Fighter, salvo erro. Eu chegava ao cúmulo de recortar as partes das consolas dos folhetos de brinquedos do Continente, Jumbo, Toy ‘r Us e afins para ficar a olhar para aquilo. Acho que ainda hoje tenho uma gaveta algures na mobília antiga cheia dessa papelada.
    Eis que chega o Natal de 1996 e o facto de eu ter chateado toda a gente para me dar uma consola teve os seus frutos. Os meus avós deram-me uma Master System com o Sonic 1 na memória, eu sabia que era a consola “mais fraquinha” da Sega mas fiquei mesmo muito contente na mesma! Depois a minha mãe disse-me “Olha, eu ia-te dar aquela Sega Saturn que tu tanto querias, mas como a tua avó comprou essa eu resolvi-te dar outra coisa”. FUUUUUUUUUUUUU, foi a minha reacção. Mas não me arrependo, pois ambas tornaram-se as minhas consolas de eleição, mesmo só ter acabado por comprar uma Saturn há coisa de 2 anos atrás.
    Depois lá para 1998 um amigo meu emprestou-me uma revista dele a “Super Jogos”, uma revista em que a maioria dos artigos eram escritos pelos próprios leitores – belo business model, lol (eu acabei por ter publicado um artigo do Duke Nukem Forever lá nos anos de 2001, penso eu de que). Éniuei, nessa revista vinha lá um artigo sobre emuladores e eu fiquei fascinado. No dia seguinte lá fui à biblioteca da escola com um molho de disquetes na mão pesquisar sobre esse mundo. Saquei logo o KGen98 e alguns jogos como o do Sonic. Tempos em que a net era de 33kbps e sacar uma rom com 2mb demorava cerca de uma hora…
    Foi igualmente com a emulação que vim a descobrir tudo o que deixei para trás, os grandes clássicos da Mega Drive, Master System, NES, SNES, Gameboy, etc. Durante vários anos não jogava outra coisa no meu PC.
    Lá para 2002, comecei a trabalhar nas férias do Verão e com o dinheirito que fazia lá deu para comprar a minha primeira consola – a Nintendo GameCube que tanto prometia. Ainda estive quase quase para levar uma Dreamcast, consola que sempre defendi mesmo não tendo uma. Lembro-me que uma DC custava cerca de 125€ e já vinha com 4 bons jogos, enquanto que apenas a GC eram 200€. Mas estava um pouco cansado de jogar apenas o “passado”, pelo que optei pelo cubo da Nintendo. Desde essa altura que deixei de receber “presentes” desta área, practicamente tudo o resto que tenho vindo a ter desde então foi comprado com o meu pobre dinheirinho. Mas vale a pena. E desculpa o testamento, mas fiquei todo nostálgico também. 😛

    • Gostei de ler o “testamento” 😛 Sou um entusiasta de videojogos e gosto sempre de ver como foram os primeiros contactos com jogos, do pessoal que já era “gamer” antes de mim.

      Uma coisa de que não falei foi que cheguei a jogar Master System quando estava no 5º ano. A minha escola tinha uma 2 delas, juntamente com uma Super Nintendo que só tinha o Mario World. Nós só tinha-mos direito a jogar um jogo de cada vez, mas como aquilo eram Master System II, eu e os meus amigos acabávamos sempre a trocar os comandos e a perder imenso tempo a tentar passar o Alex Kid in Miracle World. Os jogos antigamente podiam ser mais difíceis, mas há alguma coisa de recompensador em aprender a passar um nível de cada vez.

      Embora use emuladores, espero um dia poder comprar e coleccionar algumas consolas mais antigas.

      Bons jogos 😛

      • Ahah que coincidência! A minha EB 2.3 também tinha uma SNES que podíamos jogar. Tinha o Super Mario World, Street Fighter II e um jogo de futebol que penso que se chamava Super Soccer. Eu e os meus amigos passamos muitas horas a jogar isso, mas a certa altura um idiota qualquer roubou o Street Fighter e a direcção da escola resolveu retirar a SNES lá da ludoteca.

  4. […] Crazy Taxi 2 Sonic The Hedgehog Metal Slug Super Mario World Worms Armageddon/World Party Gunstar Heroes Sumotori Dreams? Lemmings Zoo Tycoon Typing of… the Dead […]

  5. […] um pouco mais tarde saiu-me a sorte grande e acabei por receber a Dreamcast do meu irmão e uns quantos bons  jogos. Entre eles estava apenas um Beat’em Up: O […]

  6. […] é segredo nenhum que a minha infância foi passada a jogar Mega Drive, NES e Super Nintendo na forma de emuladores. […]

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