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Análise: 007 – Everything or Nothing (PS2,Xbox,GC)

007: Everything or Nothing foi lançado em 2004 para Playstation 2, Gamecube, Xbox e Game Boy Advance e foi o último 007 da Electronic Arts da geração 128 bits a ter uma história (se lhe quiserem chamar isso) original ao invés de ser baseado num dos muitos filmes do espião ao serviço da rainha.

O ano é 2004, e os últimos e mais bem sucedidos jogos da franchise Bond, The World is Not Enough (na versão N64), Agent Under Fire e Nightfire foram First Person Shooters com um sucesso razoável, seguindo no caminho do muito popular Goldeneye para a Nintendo 64, que na altura foi um estrondo e revolucionou os FPS nas consolas.

Everything or Nothing, no entanto, deixa a perspectiva na primeira pessoa para trás e tenta, pela primeira vez desde o mediocre Tomorrow Never Dies, mostrar todas as facetas das aventuras de Bond (bem, tirando a parte dos engates e de embirrar com o Q) na terceira pessoa.

Sendo um jogo da EA, as fotos da jogabilidade em si são raras. Vão ter que se contentar com o blur.

A Jogabilidade

Com todas as facetas quero dizer que houve um esforço por parte da Electronic Arts de dar ao jogador a ideia de que está mesmo a jogar um filme de Bond. Um que por acaso não estreou nos cinemas. Os níveis e localizações no jogo são variados e levam-nos a percorrer o globo, tanto a pé como num veículo.

A EA, sendo esperta e tirando partido do enorme número de estúdios a que tinha acesso, deu a tarefa de criar os níveis de acção na terceira pessoa a uma equipa, enquanto que os níveis de interlúdio, em que manuseamos um Porsche Cayenne, uma mota cujo nome nem sei ou até um helicóptero, ficaram a cargo de outra equipa especializada em “carros”. Isto faz com que os níveis de condução sejam muito mais divertidos do que normalmente estão à espera num jogo deste tipo e dá ao jogo um aspecto muito polido.

Quanto às missões na terceira pessoa, estas são do típico molde dos shooters da altura (agradeço a falta da câmara estúpida estilo Dead Space). Aqui não têm free aim, mas podem antes fazer lock-on nos inímigos, mexer no analógico direito para focarem-se noutro inimigo ou mexer nesse mesmo analógico mais devagar, de modo a fazer free aim sobre esse inimigo. Este sistema funciona muito bem e é um dos melhores aspectos deste jogo.

Como já disse, a EA queria fazer deste um jogo 007 variado, e a nossa abordagem aos níveis na terceira pessoa reflecte isso mesmo. Podem tanto jogar ao jogo como se de um típico jogo de acção se tratasse, ou podem também ser sorrateiros e seguir a via de um espião a sério e dar uma de Solid Snake. A ajudar-vos nestas missões têm os vossos gadgets fornecidos por Q. Estes vão desde moedas explosivas a aranhas mecânicas… explosivas.

Ao longo da aventura vão ser também julgados na vossa prestação nos níveis, e se forem bons o suficiente, podem ganhar o rank de OURO e ter acesso a um novo gadget ou desbloquear um novo nível, personagem ou peça de concept art. Uma coisa que vos pode ajudar a chegar ao Ouro são os Bond moments, ou seja, acções que podem fazer num nível que vos são úteis e vos dão mais pontos. Isto pode ser, por exemplo, ligar uma válvula para libertar vapor num grupo de soldados ou disparar um míssil da vossa mota e explodir com uma torre à vossa frente, ou invés de simplesmente se desviarem (isso é para noobs). E sim, leram bem, os veículos também têm, como é costume num filme de Bond, direito a gadgets. Aliás, o vosso Porsche até pode ter acesso a camuflagem óptica, que vem a dar mesmo jeito numa imaginativa missão stealth por rodas…

James Pond

No entanto, isto tudo é às vezes estragado por completo por uns controlos catastróficos, que nem sequer podem ser modificados (não há esquemas de controlo?). Que tal usarem o X mais o Y para silenciarem um soldado por trás? Ou escolher as armas clicando no ↓, no DPAD, e os gadgets no ↑, sem se esquecerem de carregar no A para seleccionarem o item? Ou melhor ainda, clicar no botão de inventário, ← ou → no DPAD, que também activa o Slow Motion, para poderem apontar a objectos no cenário? E já agora, o botão A também faz reload, enquanto que o botão típico para reload neste tipo de jogos, o X, serve para esconder a arma e preparar os punhos…

E isto não ajuda nada neste jogo. Podem ser desculpados por pensar que um jogo do 007, licenciado pela EA, seria mais ou menos fácil. Pois, enganam-se, e de que maneira. Este jogo não perdoa. Assim que terminarem a missão de prólogo são atirados de imediato para a acção, e não só serão muito vulneráveis ao fogo inimigo, como os soldados que encontrarão vos vão fazer a vida negra, fazendo uso das coberturas e aproximando-se da vossa posição e dando-vos a volta à mínima hipótese que encontram.

Claro que não ajuda que o jogo crie inimigos atrás do jogador constantemente (cuidadinho a voltar atrás num caminho) e espalhe snipers pelos níveis.

Em resumo, aqui não vão ter ajudas.

Err, sim.

Resta dizer que o jogo não é pequeno, mas também não tem muitas missões extra. Isto não é nenhum Timesplitters. No entanto, têm direito um modo de Coop multiplayer que é uma boa adição ao jogo.

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5 comments on “Análise: 007 – Everything or Nothing (PS2,Xbox,GC)

  1. Confesso que o único jogo do Bond que gostei verdadeiramente até hoje foi o velhinho Goldeneye na N64. Era bom em tudo. Nem o remake se aproximou de perto da sua magnificiência, mesmo tendo os seus pontos fracos que rapidamente eram omitidos pela jogabilidade viciante. Este que aqui trouxeste conhecia-o apenas pelo nome, nunca me suscitou interesse tal como a grande maioria.

  2. O que é que o Jaws está a fazer com o Pierce? 😀

    Sou um grande fã dos filmes, mas curiosamente num joguei nenhum jogo 007, o mais perto foi os dois (divinais) No One Lives Forever que têm muitas referências e homages =)

    • Pois… eu nunca vi um filme de Bond. Quer dizer, já vi, mas aos bocados. Não sei, sempre gostei mais da trilogia Bourne. O Casino Royale também tem umas cenas de acção muito boas mas o seu Bond não parece ter o carisma de Jason Bourne.

      Mas já estive a dar uma olhadela pelas tuas análises aos filmes 007 e sou capaz de dar uma oportunidade a alguns dos filmes.

      Isso, e ainda me falta jogar ao No One Lives Forever, mas talvez seja melhor ver alguns dos filmes primeiro.

  3. Os filmes antigos são clássicos, independentemente se são maus ou não. Gosto de alguns, outros nem por isso, tendo visto todos até à data. Os dois mais recentes, na minha opinião, estão no mesmo patamar da trilogia Batman do Nolan, são algo à parte e sem dúvida surpreendente. Espero que o Skyfall siga esse rumo.

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