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Retrospectiva: Kunio Kun Parte 1 – River City Ransom

Esta é a primeira retrospectiva que faço. Nestes artigos vou falar sobre as minhas franchises preferidas do mundo dos videojogos, dando um olhar resumido a cada jogo e ás diferentes fases por que estas séries passam à medida que se adaptam ao mundo em constante evolução do meu passatempo favorito. No entanto, escolhi a série Kunio Kun da Technos para o meu primeiro artigo e deixem-me que vos diga… não é fácil de catalogar…

Ainda pensei em talvez fazer isto de forma cronológica mas logo vi que isso seria uma grande parvoíce tendo em conta a quantidade de sequelas, pseudo-sequelas, ports, reboots e remakes (ufa…) que constituem esta série, e muitos deles sem grandes diferenças. Portanto, vou fazer isto por partes, começando por mostrar os jogos de luta, os Beat’em Ups da série e mostrando mais tarde os restantes jogos que seguiram mais a onda de actividades extra curriculares.

Kunio, o Renegado

Kunio e Rikki são os vossos típicos adolescentes com cara de mau que vivem para faltar à escola e espancar membros de gangs de escolas rivais (Kun significa algo como “puto marginal” em Japonês). Eles são a definição de Badass e os protagonistas da franchise Kunio Kun. No entanto, é só Kunio que começa por ser, sozinho, o protagonista do primeiro jogo da série: Nekketsu Kouha Kunio-kun. Segundo a “história” do jogo, um dia um dos amigos de Kunio é atacado por um gang rival e a partir dai já podem adivinhar o resto, a ordem do dia é viajar pela cidade a espancar tudo o que se aproxime de vocês com um (cómico) olhar duvidoso (e grandes dentes para fora). Curiosamente,  Rikki aparece neste jogo como o primeiro Boss que enfrentamos e não ainda como nosso parceiro no(s) crime(s).

Se esta história vos parece coisa típica de Streets of Rage ou Final Fight (ou Double Dragon) é porque este jogo é nada mais nada menos que Renegade, um titulo que alguns de vocês se devem lembrar como sendo proclamado como um dos, se não o, primeiro Scrolling Beat’em Up em existência. Renegade é versão “americanizada” do jogo em que os sprites foram modificados, não fossem os jogadores americanos e europeus perguntarem-se o porquê das personagens que controlam lutarem em pijamas.

Renegade (Arcada, NES, Master System, Commodore 64, ZX Spectrum, Armstrad CPC, Amiga, Atari ST e Playstation 2)

River City Dragons

Renegade foi razoavelmente famoso (especialmente aqui na Europa, onde teve direito a duas sequelas e várias conversões para os computadores da altura, incluindo uma com dinossauros) e teve o privilégio de receber uma pseudo-sequela ainda mais conhecida: Double Dragon, no ano seguinte, em 1987. O jogo teve um sucesso enorme na América e Europa e originou a sua própria série de sequelas, embora nenhuma delas sejam da autoria da Technos devido a confusões sobre os direitos de autor.

Double Dragon (Arcada, NES, GBA, PlayChoice-10,Sega Master System,ZX Spectrum, Amstrad CPC, Commodore 64, IBM PC,Atari ST, Amiga, Atari 2600,Atari 7800, Game Boy,Mega Drive/Genesis, Lynx,Mobile, Zeebo, Apple OS, iPhone e, por fim, o meu frigorífico)

No entanto em 1989 a Technos lançou outro jogo de luta Side Scroller muito mais ambicioso, mas que, por ironia do destino, viria a ser eclipsado pelo sucesso de Double Dragon. Este seria o primeiro jogo “a sério” da saga Kunio Kun, de seu nome River City Ransom.

River City Ransom (EUA)/Downtown Nekketsu Monogatari (JAP)/ Street Gangs (EU) (NES, PC Engine, X68000, GBA)

Welcome to River City

Comparado com Double Dragon, River City Ransom (Street Gangs na Europa…) foi uma revolução sem par. Aqui, os simplísticos níveis lineares seguidos de bosses no final foram substituídos por áreas interligadas de uma cidade. Aliás, vocês são livres de irem directamente de encontro ao Boss final, o malvado Slick, logo desde o inicio do jogo, mas se o fizerem preparem-se para levarem uma valente tareia, isto porque antes de mais vão precisar de evoluir um pouco as vossas capacidades.

River City Ransom é um jogo muito à frente do seu tempo. Este não é o típico Beat’em Up da esquerda para a direita como o Double Dragon e os seus descendentes como o Streets of Rage ou o Final Fight. Aqui vão ter que evoluir e aumentar os vossos stats se quiserem competir com os inimigos e bosses mais fortes que vão encontrar em River City. Para fazerem isto espancam todos os gangsters que vos aparecem no caminho e apanham as moedas que eles deitam (ou vomitam, já explico…). Depois podem usar o dinheiro que “apanharam” visitando várias lojas nos distritos de comércio da cidade. Têm ao vosso dispor desde cafés e lojas de Sushi, que vos recuperam a saúde e aumentam os (muitos) stats, a lojas de Manga e discos, onde podem aprender novas técnicas de Kung Fu.

River City Ransom faz parte da era de Ouro dos videojogos, os anos 80, quando havia um esforço por parte das produtoras de inovar e romper as barreiras dos seus géneros a cada sequela que criavam. Com a chegada dos anos 90 deixou de haver um esforço nesse sentido e a maior parte dos jogos passaram a ser muito derivativos de sucessos anteriores.

Com este jogo, a Technos fez um autêntico milagre com o hardware da NES. Os gráficos são muito coloridos para um jogo desta consola e não sofrem dos típicos fundos pretos que muitos dos sidescrollers da consola sofriam, fazendo um uso muito bom da limitada palete de cores. O sistema de combate é também excelente, fazendo um uso exemplar dos únicos dois botões de acção do comando, e juntando combos, ataques especiais (que se podem comprar) e funções como saltar (carreguem nos dois botões ao mesmo tempo) e atirar ou pegar em objectos (ou até inimigos), tudo isto no simples comando da NES.

RCR tinha físicas muito decentes para um brawler de 1989. É possível que qualquer objecto que atirem a um inimigo ou a uma parede faça ricochete ,volte atrás e vos atinja na nuca (é sempre engraçado ver um gangster a levar com a sua própria arma na cara). Outra função engraçada é que podem saltar para cima de caixotes de lixo em andamento ou até para cima de inimigos. Aliás, se tiverem paciência para isso, podem até fazer uma espécie de Totem com o segundo jogador e um ou dois gangsters empoleirados.

Na minha opinião, as T-shirts e calças ficam-lhes melhor.

Mas River City Ransom não é um jogo de culto apenas devido à originalidade da vertente RPG ou do sistema de combate, mas sim também por ser  hilariante. Afinal de contas, é um jogo Kunio Kun.

Como este é um jogo de 1989 para a NES, seria de esperar que fosse uma vitima do seu tempo e que fosse substancialmente modificado para evitar confundir alguém neste lado do mundo, tal como foi o Renegade. E sim, realmente foi modificado, mas, por incrível que pareça, ficou ainda melhor.

Ainda continuo há espera de outro jogo de acção que tenha inimigos que mandem vir comigo à medida que os chateio.

A Technos não tem medo de gozar um pouco com si própria e pegou nas mudanças que fez ao Renegade original e deu um ar ainda mais Rockabilly a River City Ransom, que complementa a violência cómica do jogo na perfeição e provavelmente até lhe fica melhor na pele. Além disto, a tradução da autoria da American Technos (é isso mesmo, é a Technos Americana, não a Technos América) também tomou liberdades onde era necessário e, consequentemente, estava a anos luz de qualquer outra conversão vista na consola da Nintendo na altura.

Alguns bons exemplos da qualidade desta tradução são os nomes dos gangs de escolas rivais que vão ter que enfrentar (como, por exemplo, os Generic Dudes, The Jocks, The Frat Guys ou The Squids), a introdução e cutscenes (“With my gangs of students & evil bosses, nobody can stop me now.”) ou os muitos comentários dos gangsters que vos aparecem pela frente (coisas como “BARF”, “Mommaaa!!” ou “This blows my day” são cuspidas pelos mauzões à medida que são atacados).  Este tipo de tradução inspirada só se viria a ver outra vez em jogos como The Typing of the Dead ou nas séries traduzidas pela Working Designs.

E isto já para nem falar dos fantásticos sprites que são das caricaturas mais cómicas que já vi num jogo.

A inteligência artificial dos inimigos serve depois como a cola que mantém esta parvoíce toda junta. Os inimigos também são capazes de pegar em objectos e colegas para vos atacarem e, se o combate lhes tiver a correr mal, não são esquisitos e são bem capazes de se por em fuga com um “Mommaaa!!”.

Este jogo está cheio de situações que ficam na memória… Imaginem, por exemplo, dois gangsters a correrem na vossa direcção para vos atacar.O que está atrás atira uma corrente que acaba a atingir o da frente e a saltar para trás, atingindo também o de trás, deixando os dois no chão com um desabafo: “BARF”.

Em resumo, este é um jogo que deve ser jogado por toda a gente, e é um testemunho à qualidade da Technos que jogos como River City Ransom (ou Super Dodgeball, ou Nintendo World Cup…) continuam a ser imensamente jogáveis (e cómicos) ainda hoje em dia.

Falta a parte 2…

Espero que tenham aguentado a enchente de texto referente ao espectacular River City Ransom. Embora esta retrospectiva seja apenas um resumo da saga, e não dê à série o detalhe que sites como o HG101 deram, era importante mostrar a revolução que este jogo foi na altura de lançamento e a importância que tem nesta franchise. Não se preocupem, prometo que não vou perder muito tempo com cada episódio desta série.

Estou neste momento a preparar a parte 2 desta retrospectiva, onde vou falar das sequelas, spin-ofs, remakes e sucessores espirituais de River City Ransom e Renegade, enquanto que na parte 3 farei um resumo dos (muitos) jogos de desporto onde Kunio e amigos podem ser vistos.

Até lá, BARF.

http://www.youtube.com/watch?v=iN71nXqpbHE

Links e tretas

Hardcore Gaming 101 – The Kunio Kun Series (um resumo mais detalhado da série):

http://www.hardcoregaming101.net/kunio/kunio.htm

Retronauts Lunch Break – Kunio Kun Sports Games:

http://www.youtube.com/watch?v=NstDwmHN30Y

Retronauts Podcast – Kunio Kun:

http://www.1up.com/do/minisite?cId=3156908

http://www.podtrac.com/pts/redirect.mp3/podcast.the1upnetwork.com/flat/Retronauts/R092211.mp3

http://www.podtrac.com/pts/redirect.mp3/podcast.the1upnetwork.com/flat/Retronauts/R031911.mp3

http://www.podtrac.com/pts/redirect.mp3/podcast.the1upnetwork.com/flat/Retronauts/R081110.mp3

http://www.podtrac.com/pts/redirect.mp3?http://download.gamevideos.com/Podcasts/Retronauts/042408.mp3

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6 comments on “Retrospectiva: Kunio Kun Parte 1 – River City Ransom

  1. Não conhecia nada disto, só algumas coisas de nome. O RCR teve algum sucessor na geração dos 16bit?

    • Existe uma sequela para a Famicon passada inteiramente numa peça que a turma de Kunio encenou na escola, ou seja, é RCR no Japão feudal e com umas adições. Há também uma sequela do Renegade para a SNES que tem uns elementos RPG (mas nada ao nível de RCR).

      Na próxima parte vou falar de todas as sequelas, spin-offs e sequelas espirituais de RCR. Se eu fosse a ti dava uma olhadela ao Scott Pilgrim vs The World para a PSN/Xbox Live, visto que o jogo vai buscar muito a RCR (e vou explicar o porquê disso na próxima parte).

      E claro, também existe a versão PC Engine de RCR, mas é só um port.

  2. Olha o Kunio Kun… por acaso andei recentemente a jogar isso nos vários emuladores. Acabei por não ter muita paciência pelo grinding e subir experiência e tal, especialmente no primeiro jogo da SNES, que fartei-me de levar porrada e dar golpes que tiravam apenas um niquinho de vida dos gajos. O segundo da SNES, aquele em que Kunio começa por ser preso é bem mais directo.

    • É exactamente desses jogos da SNES (entre outros) de que vou falar na segunda parte. Ainda não a acabei de escrever porque é muito jogo (mesmo muito) mas está quase!

      Por acaso desse segundo jogo da SNES adoro os diálogos da versão traduzida (foi traduzida de uma língua complicada por um tradutor conhecido por isso assumo que esteja decente). O jogo todo é tão Bad Ass que só faz rir.

  3. […] …e a série com mais personalidade do mundo dos videojogos, Kunio Kun. […]

  4. […] da minha retrospectiva da série Kunio Kun? No final da segunda parte dessa retrospectiva deixei a flutuar uma imagem de outro jogo […]

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