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Este Parque Jurássico

Eu não sou um crítico de cinema. Gosto de pensar que conheço bem o mundo dos videojogos, mas, sinceramente, eu desligo uma parte do meu cérebro cada vez que me sento para ver um filme. Isto não quer dizer que não seja capaz de me aperceber que o Avatar é uma treta ou que o Indiana Jones 4 não é a reencarnação do diabo, mas não sou capaz ainda de dar um olhar crítico a todas as partes de um filme como dou a um jogo.

O que eu quero dizer com isto é… Não estejam à espera de uma análise. No entanto, e com isto dito, este filme é um pouco especial para mim e é das coisas que mais analisei nos últimos anos.

Parque Jurássico, lançado em 1993 e protagonizado por dinossauros (e Sam Neill), é o meu filme favorito. Não, não é exactamente o filme mais sofisticado em existência, mas é um excelente exemplo do que o Cinema deve ser também, uma ilusão (“You never had control, that’s the illusion!” ;)). É um regresso aos filmes de aventura (e monster movies) dos anos 40 e 50 e uma homenagem aos monstros gigantes pré-históricos que muitos de nós víamos em livros, em pequenos.

Por muito tempo pensei que talvez o filme tivesse sido criado à volta da ideia da nostalgia. Afinal de contas, qual é o miúdo que não gosta (não, adora) dinossauros? Quantos de nós não vimos filmes antigos em stop-motion, com T-Rexes que arrastavam caudas pelo chão ou “brontossauros” que se moviam enterrados em pântanos. E quantos de nós não líamos livros educativos sobre a pré-história e os répteis gigantes que habitavam a Terra na altura? Qualquer que fosse a vossa experiência, o consenso era sempre o mesmo: O T-Rex era muito, mas muito mais fixe que um Tigre Dentes-de-Sabre (se bem que este tem alguns pontos fortes a seu favor).

Mas depois de dar outra olhadela ao filme torna-se óbvio: É claro que houve um esforço nesse sentido durante a criação do filme.

É claro que este é um monster movie. Aliás, foi o próprio Spielberg que disse que, acima de tudo, o filme é uma “ride”, uma viagem de montanha-russa, e realmente não à falta de momentos de suspense e acção nestes 127 minutos. Mas também houve um grande cuidado na criação deste mundo pré-histórico (sim, porque o parque não se situa numa ilha no pacifico, mas sim numa Terra pré-histórica, como se pode ver pelas árvores gigantescas)e na caracterização dos dinossauros.

A minha casa na árvore.

Na altura não havia precedentes. Podia ser um monster movie mas Spielberg, Crichton, a Industrial Light & Magic e os studios de Stan Winston não se ficaram por ai e deram uma atenção ao detalhe até então inédita em filmes deste estilo. Não foram só os inovadores efeitos CG (efeitos de computador) que trouxeram dinossauros ao grande ecrã mas sim a recusa da equipa de produção em mostrar apenas mais um filme com monstros. Não foram só as técnicas CG, mas também a atenção ao detalhe na concepção dos animais e dos seus hábitos que influenciaram filmes como O Senhor dos Anéis e as prequelas de Star Wars.

A ideia original de Crichton para o livro era a de ter um rapaz perdido num parque de diversões, e mesmo Spielberg é conhecido por ocasionalmente se inspirar na sua infância na criação de alguns dos seus filmes (ET: O Extraterreste ou A Guerra dos Mundos). É natural, portanto, que Crichton e Spielberg tenham pegado naqueles filmes e livros antigos e tenham tentado recriar aquela magia no cinema, desta vez com o choque de podermos realmente “tocar” nos dinossauros. Ambas as cenas em que aparecem os Brachiossauros (no inicio, quando olhamos para o lago dos dinossauros e a meio do filme, quando Grant e os miúdos sobem à arvore) são um exemplo daquela sensação de fascínio que uma criança tem pelos grandes animais. A cena do Triceratops doente também é um bom exemplo da inspiração nostálgica, com Grant a abraçar o animal enquanto este respira (“She was my favorite when I was a kid. Now I see her, she’s the most beautiful thing I ever saw.”).

E é com muito gosto que chegamos à minha música preferida: The Triceratops. Não há nenhuma outra música, banda sonora ou não, que me dê tanto prazer ouvir como esta. Sim, não é um épico e é uma música bastante simples, mas gostos, especialmente os afectados pela nostalgia, não se discutem ;). Na minha opinião, acho um crime esta música não ter sido incluída na banda sonora original (juntamente com outros temas de nota).

John Williams, como sempre, foi uma peça instrumental (get it?) na concepção deste mundo. Tendo em conta outras bandas sonoras dele, há quem não aprecie tanto a de Jurassic Park. A critica é que esta banda sonora tem um som demasiado… Simples, ou clássico. No entanto, John Williams já tinha dado provas anteriormente de que tinha muita experiência e que não deixaria nenhum pormenor ao acaso. A banda sonora de Parque Jurássico tem um tom muito clássico propositadamente. É uma tentativa de dar aquele ar de aventura clássica. Tal como Indiana Jones, Parque Jurássico é uma espécie de homenagem tanto à nostalgia como também às aventuras de outros tempos.

Só falta o piano de John Williams a tocar…

Parque Jurássico é o primeiro filme que me lembro de ver, e um que de certa forma me influenciou (ainda me lembro do nome de muitos dinossauros). Para mim não se trata apenas de mais um monster movie, mas sim de um tributo à imaginação (eu sei, soa cheesy). Mas afinal de contas, não é isto mesmo que um filme deve ser?

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2 comments on “Este Parque Jurássico

  1. Eu lembro-me de estar rodeado pela febre dos dinossauros após a estreia do Jurassic Park. Eu nunca fui “tocado” pelo filme e consequentemente nunca liguei a dinossauros como os meus colegas da escola, mas era uma época louca. Dum dia para o outro todos os miudos queriam ser paleontólogos, sabiam os nomes dos bichos todos, liam e interessavam-se por ciencia. Vendo agora à distancia é fenomenal o que o filme do Spielberg fez a toda uma geração. Foi uma febre que não se via desde…. sei lá Star Wars? E só me lembro da febre Titanic uns anos depois a atingir a mesma escala e magnitude.

    Como disse antes, pessoalmente Jurassic Park nunca me disse muito, mas indirectamente acabou por estragar a minha adolescência por tecnologicamente ter “dado luz verde” ao Lucas para produzir as prequelas do Star Wars =(

  2. […] ——————————————————– ² Acesso em 19: de junho de 2013 <https://outerspaceoctopus.wordpress.com/2012/08/22/este-parque-jurassico/ […]

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