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A Era de Ouro dos Videojogos

É verdade. Estamos realmente a entrar numa era de ouro dos videojogos. Já é sabido que hoje em dia a estagnação do mercado de  jogos comerciais está a ser compensada, e de que maneira pela enchente de criações de grupos (ou individuais) independentes, ou seja, os chamados “jogos indie”.

Braid (PC, XBLA, PSN, OnLive)

Mas esta revolução vai além dos típicos jogos independentes que adoram brincar com convenções e géneros. Dêem ferramentas, espaço e tempo ao povo e mais tarde ou mais cedo vão se deparar com jogos que finalmente dão resposta à pergunta “Por que é que ainda não fizeram isto?”.

Tal como David diria, grandes coisas têm pequenos começos (referência atrasada FTW). Os anos 80 estavam repletos de jogos simples e divertidos, mas assentes em ideias mais épicas, que eram na altura impossíveis de concretizar. Eram os sonhos de mundos virtuais sem limites ou de uma experiência inspirada por um filme ou livro que traziam o melhor de programadores e artistas no espaço limitado de 64kb.

The Great Escape (Spectrum, Amstrad CPC, Commodore 64)

Infelizmente, esta ambição tem se vindo a perder com o advento das consolas e dos géneros. O sonho original de criar uma experiência em que o único limite era a imaginação foi substituída pela ambição de tentar criar o melhor jogo que encaixasse num determinado género e que fosse o exemplo a seguir pelos seus pares. E claro que, mais recentemente, esta atitude acabou  por suplantar as ideias mais originais e criar uma indústria que se canibaliza, levando à actual estagnação do mercado.

Felizmente, com o recente advento dos tais jogos independentes, começam a aparecer programadores e artistas que anseiam por criar jogos que respondem àquela pergunta “Por que é que ainda não fizeram isto?”.

Com este artigo quero dar a conhecer alguns jogos independentes que ignoram o caminho delineado de um género e apenas se “limitam” a tentar criar o que queremos ver e experimentar no ecrã. São jogos que não só “mexem” com as convenções de um género, como também ultrapassam as suas barreiras. Afinal de contas, porque é que isto ainda não foi feito?

Minecraft

Este jogo é, na minha humilde opinião, o jogo mais importante dos últimos anos. A sério! Foi o jogo que redefiniu a definição de Massively Multiplayer Online Game e que voltou a por Role Playing em RPG. E porquê? Porque pela primeira vez, podemos jogar num mundo online em tempo real que pode ser completamente destruído e reconstruído pelos jogadores. Ou seja, pela primeira vez fazem realmente parte do mundo online e podem influenciá-lo, em vez de se limitarem a completar missões num overworld.

A parte do Role Playing vem pelo foco do jogo na aventura em vez de estatísticas. Se procurarem bem, existem Mods que vos permitem fazer praticamente tudo no Minecraft, apesar de este “tudo” ser limitado por um mundo simplístico construído por cubos. É o equivalente em videojogo de brincar com Lego e usar a imaginação. Claro que, as últimas actualizações voltaram a introduzir no jogo tropes típicas de RPG, mas enfim…

Starbound

De certeza que já ouviram falar de Terraria, certo? Não? Bem, Terraria pegou na jogabilidade de Minecraft e trouxe-a para a segunda dimensão, dando ao mundo de jogo um aspecto muito reminiscente de Castlevania ou Metroid, e encheu o jogo de itens, masmorras e monstros, bem ao estilo de um Diablo ou Torchlight. Foi um grande sucesso, mas o sangue de Diablo corre-lhe nas veias e o foco do jogo é a gestão do inventário e a caça aos monstros em masmorras.

Terraria

Mas havia outro…

Starbound foi anunciado recentemente e pode ser considerado uma espécie de sucessor espiritual de Terraria. Mas Starbound expande imenso o foco de jogo. Porquê ficarmos relegados à típica pradaria com masmorras e monstros quando podemos pegar na nossa estação espacial, num grupo de amigos e explorar a galáxia?

“It’s not very Hoth in here…”

Em Starbound existe um número infinito de mundos que podem ser completamente explorados, e cada um destes com direito a fauna e flora exclusiva. O típico combate RPG ainda está lá (aliás, até está melhorado), mas os jogadores mais pacíficos, como eu, também têm um lugar nestes novos mundos. Além de caçar monstros, vão poder analisar tudo o que encontrarem e trazer tecnologia e matéria prima para a vossa estação espacial, de modo a criar novas ferramentas ou.. Se quiserem… Um Mech.

Este laboratório vai se chamar Serenity 😉

Incrível como existem tão poucos jogos em que podemos gerir uma base central, coisa que é extremamente viciante e que dá um sentido de progressão ainda maior a um metroidvania.

O ponto forte de Starbound é a sua variedade (existe um algo aqui para toda a gente). O jogo traz consigo muitas mais novidades. O melhor é mesmo darem uma olhadela nelas:

FAQ do jogo

Sobre o jogo

Mais informações e detalhes

Um exemplo dos vários monstros gerados aleatoriamente a partir de milhões de combinações

Dayz & Return to Jurassic Park / Project Crynosaurs

Talvez se estejam a perguntar o que é que estes Mods (Crynosaurs é stand alone e DayZ vai seguir o mesmo caminho) têm de especial para pertencerem a esta lista?

Bem, comecemos por DayZ. Este Mod corre por cima de Arma II, um jogo que vos lança para um enorme mapa online onde vos é pedido que cooperem com os vossos colegas na esperança de sobreviver a um conflito de guerra, e tudo isto da maneira mais realista possível. Aqui não convém brincar, e qualquer jogador armado em commando acaba por sair do mapa prematuramente.

DayZ no entanto, pega neste cenário de guerra realista e atira zombies para a mistura, e, se há uma coisa que aprendemos com o Walking Dead, é que os zombies são o menor dos problemas…

*Ahem*

Entretanto, Return to Jurassic Park e Project Crynosaurs, dois Mods que usam o motor de jogo de Crysis, que partilham recursos entre os dois e que já se encontram em desenvolvimento há já algum tempo, pegam na ideia base de survival horror de DayZ e vão noutra direcção.

A ideia aqui é que vocês, estejam sozinhos ou acompanhados, foram dar à costa de uma ilha no Pacífico e têm que fazer todos os possíveis e impossíveis para sobreviver. O problema é que, como já devem ter adivinhado, esta ilha está repleta de animais pré-históricos que vos vão dificultar imenso a vida. Podem esquecer também o típico arsenal de um shooter. Já é uma sorte se encontrarem uma espingarda… Com balas.

E a ilha, que vai ser completamente acessível desde o inicio, dispõe de um ecossistema realista, com animais que passeiam, comem e dormem, e cabe a vocês, e talvez a um grupo de amigos, descobrirem uma maneira de escapar do parque.

Return to Jurassic Park no modDB

www.crynosaurs.com

Enfim, os jogos mencionados nesta lista não vão mudar a vossa maneira de encarar os videojogos (excepto, talvez, o Minecraft) mas uma coisa é certa, de certeza que vos vão deixar a pensar: “Porque é que isto não foi feito antes?”.

(Ah, e estão a caminho uns textos sobre os jogos de desporto do Kunio Kun)

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7 comments on “A Era de Ouro dos Videojogos

  1. É uma pena que a industria chamada AAA (ugh) esteja tão amarrada por um lado à parte financeira (é compreensível que tenham medo de arriscar, não os julgo por isso) mas essencialmente aos grupos de estudo de mercado que na prática gerem o rumo dos seus projectos. A titulo de exemplo o Dear Esther esteve na corda bamba para ser financiado pelo Indie Fund porque os estudos de mercado deles duvidavam que o PC (Steam) fosse a plataforma certa para lançar o jogo e previam que não conseguisse sequer recuperar o investimento. Propuseram lançar na PSN porque segundo esses estudos a comunidade PSN estava mais habituada a “jogos artísticos”. Os criadores do Dear Esther recusaram e bateram o pé, resultado: 120 mil cópias em 48 horas e 250.000 até agora.

    Em contrapartida quem não está condicionado por esses factores pode na prática fazer o que bem entender e ser o mais ambicioso que bem entender. Como sabemos a criatividade humana não tem limites e como tal lá vão saindo pérolas como as que tu bem mencionaste =)

    • Infelizmente, os tempos dos jogos para computador que suportavam Mods já lá vão. Já é uma sorte que o Skyrim e o Crysis suportem Mods hoje em dia.

      Na minha opinião, a “cena” dos jogos de computador que era rica em criatividade e mods foi substituída por console ports e a corrida aos gráficos e uma montanha de DLC.

      Ao menos sempre há o open source e os indies.

  2. Belo artigo, concordo plenamente. A comunidade indie/mod tem estado com uma criatividade ímpar. Não que as empresas AAA não tenham belas mentes criativas, simplesmente eles são obrigados a fazer o que lhes mandam.

    • Já em 2006 olhava para os jogos que saiam e achava aquilo tudo muito… cinzento 🙂
      Mas se for a ver os jogos independentes, open source e mods que já saíram e estão para sair, só posso chegar a uma conclusão: Ainda vem ai muita coisa boa 🙂

  3. Excelente artigo, muito interessante!, infelizmente desliguei-me desta geração de consolas, mas é engraçado que mesmo assim, só com pequenas “espreitadelas” tinha-me apercebido que eram estes “indie games” que estavam a ganhar mão (e braços) ao mercado! iremos com certeza ver os grandes estudios a “reduzirem-se” a esta moda tal como aconteceu com Ray-man por exemplo… Mas também há uma coisa que deveria ser mencionada. Isto também acontece neste momento porque houve uma saturação de grandes produções e o público não estava preparado para isso… Ainda estavam a meio de um jogo e outro grande já estava a sair, e ao acabar o jogo corrente existiam 4 a 5 bons títulos por pegar… há que deixar respirar a industria 😉

    • Eu também estou como tu e não toquei nas consolas mais recentes. Os jogos bons também são menos, o que me levou a escrever este texto sobre umas pérolas do PC. A revolução ainda está para vir 🙂

  4. […] expandir o nosso pequeno universo videojogável de todos os tipos e maneiras (como, aliás, já expliquei). Mais que tudo, pretendem deixar uma marca na história deste nosso pequeno […]

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