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A Força da Comunidade

O artigo do Escape Rope sobre a importância dos Mods pôs-me a pensar nas minhas aventuras com editores e comunidades online…

Foi há uns anos atrás que me deparei pela primeira vez com o 3º título da saga Jedi Knight: o famoso Jedi Academy. Bem, digo famoso mas até na altura era secundário em relação às grandes bombas que já eram lançadas nas consolas, mas para certos jogadores, este era um jogo muito importante. E não porque acrescentava muito de novo a Jedi Knight 2: Jedi Outcast, mas porque abria ainda mais as possibilidades de edição e criação de mods, o que eventualmente me puxou para uma das minhas maiores obsessões dos últimos anos.

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Para quem não sabe, Jedi Academy foi criado pelo pessoal da agora defunta Raven Games. Estes moços criaram o jogo a partir das bases do motor de Quake 3 (com que já tinham muita experiência de trabalho) e conseguiram, de alguma forma, não só manter os tiroteios (online e offline) na primeira pessoa como também nos deram um lightsaber na terceira pessoa, um pacote de divertidos e variados poderes da força e nos incentivaram a percorrer o caminho (por vezes violento) de um Jedi.

Alguns de vocês já sabem de certeza onde estou a ir com este texto: O motor de Quake 3 é das coisas mais maleáveis e mod-friendly em existência. Não só isso, mas peguem nestas lutas de sabres, poderes da força, modos multiplayer, editores fantásticos e, por fim, uma comunidade excelente e dão de caras com uma óptima ferramenta  para os novatos desta onda dos mods.

Um dos melhores mapas criados por fãs para o jogo.

Um dos melhores mapas criados por fãs para o jogo.

Lembro-me de perder horas a descarregar mods, skins, mapas, modelos e outros tantos add-ons na biblioteca municipal, antes de gravar tudo em CDs para depois levar para casa e despender mais algum do meu tempo a lutar com o Homer Simpson em Helms Deep (e, diga-se de passagem, o mapa estava muito bem feito).

Qualquer oportunidade que tivesse eu aproveitava para dar um salto ao jk3files.com e aos forums do Filefront à procura de novidades e novos truques para o meu jogo preferido, até que, um dia, após olhar para mapas como Atlantica, Blue Ice Twilight e Helms Deep, perguntei-me…

Será que também posso fazer isto?

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E foi assim que nasceu Decancy: Dethrone Tyranny, o meu primeiro mod para Jedi Academy, algo que me viria a consumir muito do meu tempo livre depois da escola e aos fins de semana.

Decancy foi a minha tentativa de criar um enorme jogo completamente por cima do motor de Jedi Academy, substituindo tudo o que se referisse a Jedis, “a Força” ou naves espaciais. Na altura estava um pouco farto das várias campanhas single player disponíveis para download que se focavam apenas nesses típicos guerreiros espaciais. Pensava eu: “Então, se o editor de mapas deste jogo é tão fácil de usar, porque é que fazem sempre mapas com Jedis e stormtroopers? Qual é a piada disso?”. E foi então que decidi: Vou meter mãos à obra.

Que badass.

Que badass.

Dizer que este objectivo seria demasiado ambicioso para um único miúdo de 15 anos com pouca experiência na criação de mods, jogos ou gráficos, e que devia antes limitar-me a aprender a mexer com aquilo, ganhar algum juízo ou fazer vários mods mais pequenos, é subestimar a situação em que me meti.

Decancy era tanto um fruto da minha vontade de criar um jogo como também da minha obsessão com Heavy Metal da altura (ambas ainda não me saíram da cabeça) e, como tal, todo o ambiente e história de fundo do mod era fortemente inspirado em álbuns de Helloween, Gamma RayMetallica e Symphony X. Se quiserem, podem dar aqui uma olhadela ao meu resumo de Decancy, em toda a sua glória.

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Alguns de vocês podem já ter notado as influências de Soul Reaver. 🙂

Podem ver aqui o álbum completo.

Passado cerca de um ano, desisti do projecto. Era, claro, demasiado ambicioso, especialmente para uma pessoa distraída como eu, e gradualmente fui perdendo interesse no jogo, levando ao eventual fecho das portas. No entanto, hoje em dia volto a olhar para as imagens do meu projecto, e, desta vez, com uma opinião diferente da que tinha à uns anos atrás. Se por um lado podia ter continuado esta odisseia, por outro é-me agora muito óbvio que, embora esteja orgulhoso por ter criado uns mapas muito decentes, também fiz muita coisa mal e, como resultado, ia acabar com um projecto muito confuso e totalmente mal optimizado, já para não falar das metas praticamente impossíveis (basta lerem o meu sumário do jogo no link do parágrafo acima).

Mas Decancy acabou por, em ultima análise, me ensinar muita coisa sobre a criação de um jogo e a gestão de um projecto de grandes dimensões, e não poderia sequer o ter começado sem a ajuda daquela comunidade.

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À uns meses atrás, a Gamefront decidiu, para cortar custos, bloquear o download de ficheiros a uma razoável (há quem diga grande) lista de países, Portugal incluído. Ficheiros/mods que não tenham pelo menos 1 download em 60 dias são também retirados e, por fim, até as imagens do meu querido jk3files.com foram abaixo (pelo menos para os Portugueses). Pelo que dizem isto deve-se à falta de anúncios para publicar nas páginas que seja específicos a estes países.

De notar que o antigo Filefront, que esteve perto de apagar as luzes em Abril de 2009, foi ressuscitado pouco tempo depois como Gamefront, e manteve-se desde então online graças aos muitos utilizadores de longa data. Tenho a certeza que estavam uns quantos Portugueses por lá também…

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4 comments on “A Força da Comunidade

  1. Ah mods… também eu fui em tempo um tipo sonhador que tinha demasiada ambição para o meu parco talento e short attention span 😀 No meu caso era no rFactor, infelizmente o meu projecto ficou a meio: http://www.rfactorcentral.com/detail.cfm?ID=Circuito%20Vasco%20Sameiro

    • Bom trabalho 🙂 Às vezes os editores e comunidades chegam a ter tanta ou mais piada que o próprio jogo. 😛

      É engraçado. Agora que volto a ver o meu velho mod, vi que fui ingénuo com muita coisa, mas não deixei de aprender muito também. Só é pena esta “escola” estar a desaparecer devido à falta de jogos com suporte para mods. Bem, sempre há os jogos open source e os independentes.

  2. Jedi Academy… que memórias daquele online fantástico. A comunidade também ajudou bastante com os seus mapas e skins. Lembro-me que na altura só jogava com a skin de um Jawa… a berrar UTINI! no teamspeak… e depois foi o Movie Battles…

    Nunca cheguei a fazer nada para o JKJA pessoalmente, mas lá brinquei com o UED, o Hammer da Valve e o RPG Maker… ideias nunca me faltam, mas passado dois dias já não conseguia fazer mais nada, mas para um puto de 15 anos, fazer o que quer que seja é dificil.

    • É bom saber que não era o único a jogar aquele jogo fantástico 🙂 O sistema de luta do jogo também era muito bom e estava cheio de truques. Ainda me lembro de ir ao multiplayer pela primeira vez e ver só gente a voar…

      O JA+, Melee Mod e o Forcemod III também eram muito bons. O Forcemod, por exemplo, dava classes ao jogo e uma data de aliens novos e o Melee Mod adicionava quantidades industriais de gore ao jogo (partia-me a rir com os meus amigos a ver braços de stormtroopers a voar para todos os lados).

      Também dei uns toques no Hammer (a tentar recriar o meu quarto com assets do Half Life) e no RPG Maker. Muito, muito divertido xD

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