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Análise: Intrusion 2 (PC-Steam)

O mundo dos videojogos está neste momento a atravessar uma revolução. Jogos como The Walking Dead, DayZ (ou Project Crynosaurs), Minecraft ou GTA ambicionam expandir o nosso pequeno universo videojogável de todos os tipos e maneiras (como, aliás, já expliquei). Mais que tudo, pretendem deixar uma marca na história deste nosso pequeno hobby.

Mas Intrusion não quer saber.

Intrusion é como uma tirada do Bruce Willis que já não se ouve à 20 anos. Existem muitos Chuck Norris por ai que não se importam de explodir com terroristas e balbuciar os lendários one-liners em honra dos velhos tempos, mas às vezes o que precisamos mesmo é de um prédio cheio de reféns em apuros e alemães zangados no nosso dia de folga para nos relembrar-mos do quão divertido pode ser sair dos destroços e gritar “Yipiie-kye-yay, motherfucker”.

Intrusion não pretende ser ironicamente macho ou explosivo, nem tem por objectivo subverter as mecânicas de disparo e desvio a que estamos habituados ou fazer uso de armas bidimensionais e mundos literalmente intemporais. Não, Intrusion é apenas o sonho de um único homem, que não quer nada mais que ver robôs gigantes a caminhar (e a saltar, e a voar) no ecrã… E explodir com eles.

O que Intrusion quer é evitar dar voltas ao assunto e desafiar directamente Contra, Metal Slug, Abuse (falta mais jogos destes estilo) e Gunstar Heroes.

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O jogo original foi lançado de forma grátis em todos os bons portais de jogos em flash e foi muito bem recebido na altura graças ao seu aspecto polido (para um jogo em flash), físicas saltitonas e espantosa performance que conseguia dar a volta às limitações do flash. Caso não saibam, o Flash, embora seja relativamente fácil de usar, é extremamente limitado como plataforma para jogos com uma grande variedade de objectos (sprites), grandes mundos de jogo ou imensas quantidades de acção explosiva ™.

No entanto, esta sequela vai mais além e rebenta com o telhado (tanto em termos figurativos como literalmente), ejectando assim o protagonista do jogo anterior em direcção à base de uma montanha suspeita.

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Intrusion 2 começa onde acaba o jogo original, com o cheiro da destruição ainda nas narinas do nosso protagonista e uma base habitada em vista, mesmo atrás de umas quantas árvores, pedras e grandes, grandes bolas de neve.

Metal Gear Solid

À primeira vista, é justo que pensem que as bolas de neve, os robôs e o movimento errático da personagem principal são vitimas de um sistema de físicas que tem a mania que é mais do que aparenta (como é tão comum em jogos que utilizam físicas deste modo), mas estariam enganados.

Gastem um pouco de tempo com o jogo e acabam por descobrir que afinal há uma forma de lidar com as físicas (e até fazer bom uso delas). Normalmente não gosto de dizer este tipo de coisas, mas as físicas saltitonas e gelatinosas que vão encontrar quando iniciarem um novo jogo são mesmo apenas uma questão de habituação. Os movimentos do nosso protagonista de cachecol vermelho podiam ainda assim ser um pouco mais reactivos, mas após o choque inicial não vão ter grandes problemas em atravessar montes de neve e até saltar sobre a ocasional rocha atirada por um mech mais chateado.

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Fora de servirem apenas como um gimmick, as físicas fazem parte da jogabilidade e fazem deste um mundo de jogo com um aspecto muito sólido (e às vezes também confuso). Todos os robôs e veículos que encontrarem no vosso caminho têm um aspecto sólido e deslocam-se de forma imponente e tanto eles como vocês podem fazer uso dos detritos que voam constantemente pelo ecrã, para usos tão variados como cobertura ou arremesso da dita cobertura.

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Não é por falta de um braço que ele te vai largar.

Claro que, no fim da comoção toda podem crer que os braços e pernas dos ditos robôs vão estar espalhados pelo chão (entre outras coisas),  juntamente com os corpos dos soldados e destroços de uma torre da vizinhança que decidiram deitar abaixo com um tiro bem colocado nas fundações (possivelmente vítima de um combate mais demorado com um xenomorph mecânico).

As físicas dão realmente outra luz aos nossos amigos mecanizados e é sempre surpreendente/assustador dar de caras com um dos Mechs de grande porte, especialmente quando estão a jogar com os auscultadores nos ouvidos e a desfrutar de Dragonforce ou, por que não uns covers também metálicos dos The Black Mages ou Powerglove.

E digo isto porque a música que vem incluída no jogo, embora não seja má, repete-se um bocado de mais para o meu gosto. Podem dar à banda sonora uma hipótese, que não é má, mas acreditem que à terceira tentativa de destruição de um boss mais complicado vão se sentir mais motivados a ouvir Through the Fire and Flames.

Não foi aqui que estacionei o meu carro.

Não foi aqui que estacionei o meu carro.

E tudo isto sem scripts ou cutscenes, pessoal!

Contra Quem?

Este Intrusion 2 é, praticamente todo, fruto do trabalho de um único homem: Aleksey Abramenko, e acho que, neste momento, não há dúvida nas vossas e na minha cabeça que este é um tipo talentoso. No entanto, acho que podem concordar comigo que a falta de mais cobaias para testar o jogo e de muitas mais cabeças para chatear com diferentes perspectivas também tem que se lhe diga…

Há certas áreas do jogo que estão obviamente desequilibradas. Já vos falei de bosses mais complicados mas o que não vos falei foi de o porquê de estes serem assim. Existem bosses que são enormes, existem bosses que são difíceis e existem bosses que, apesar de tudo, parecem aguentar explosões no focinho até ao dia seguinte, mas nada, e eu digo mesmo, nada, vos vai preparar para a catástrofe que é o meu querido M.A.C.E.

Sim, podem fazer isto.

Sim, podem fazer isto.

Massive Asshole Created for Extermination (acrónimo meu, não do jogo, mas provavelmente certo, eu pensei muito nisto) custou-me a boa parte de três noites para abater, e, embora o seu fim tenha sido luminoso e glorioso, não posso deixar de pensar que este bacano foi mais irritante do que imponente e que o combate com ele passou muito rapidamente de desafiante a irritante (e de volta a desafiante).

Este é um boss final que decide atirar com tudo o que sobrou da vossa onda de destruição para cima de vocês, e, embora seja digna de final de jogo, esta ideia de fazermos multitasking e desviarmos-nos constantemente de tralha enquanto passamos três horas a aguentar e a disparar contra o dito cujo torna-se facilmente cansativa quando é mal gerida.

Nas primeiras fases do combate somos brindados com moderadas quantidades de itens de vida, mas estes acabam por desaparecer quase por completo no longo, muito longo final do combate, deixando-nos, essencialmente, numa versão invertida do (nem por isso) divertido jogo Whack-a-Mole, e os destroços espalhados pelo ecrã podem, por vezes, meter-se no (já de si estreito) caminho, e isto já para nem falar dos ataques mais perigosos do moço, que por vezes teimam em aparecer em locais onde é impossível nos desviarmos. Tudo isto leva eventualmente a que, à 15ª tentativa, eu consiga lidar com o outrora impossível Apocalipse como se fosse um carneiro, mas que acabe por alguma razão sempre com o queixo no chão (ou pior, no fundo da montanha).

...e também isto.

…e também isto.

Espero que não se tenham aborrecido muito com o meu rant sobre o boss final (afinal de contas, eu sempre acabei com o tipo), mas quero, antes de me despedir e ir para a cama com a PSP, tocar em mais um assunto relacionado com bosses.

Intrusion 2 toma a liberdade de vos trocar de arma cada vez que apanham munições para um canudo maior e mais poderoso que o anterior se este se encontrava anteriormente sem balas. Basicamente é um sistema ao estilo de FPS de deathmatch em que trocam automaticamente para uma arma mais poderosa. O problema aqui é que as munições (que, já agora, podem passar ligeiramente despercebidas no meio da acção toda) podem ser apanhadas por vocês enquanto se desviam de uma espada de um Mech particularmente violento, levando-vos a trocar a pistola por um lança granadas que pode explodir na vossa cara.

Além disto, o jogo também vos muda automaticamente de arma se acabarem com a munição da que estão a usar no momento. Agora, imaginem apenas que estão em frente a uma enorme boss-nave-robô (com enormes punhos zangados) e que as munições da vossa arma bem escolhida para a ocasião acabam-se. Vocês bem se atiram ao rato mas a machinegun apenas faz *click* e muda para a próxima arma. Agora, uma de três coisas acontece. Vocês:

a) começam a disparar com uma arma que não queriam e olham em pânico para cima para identificar a arma;

b) dizem “Que se lixe.” e continuam a gastar munições da arma seguinte, porque são mesmo bons ou;

c) ouvem um *click*, de repente deparam-se com uma nova arma, disparam e ouvem outro *click*, apavorados mexem na roda do rato para a frente, ouvem outro *click* (esta é a arma anterior) e levam um soco robótico na cara?

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Enfim, às vezes é um dilema.

Missão Terminada

Em suma, Intrusion 2 recomenda-se e merece ser jogado (nem que seja para vos relembrar que as melhores coisas da vida vêm após muito esforço e suor) mas é capaz de ser também irritante, especialmente para os que não estiverem dispostos a perder paciência e horas de sono com bosses desequilibrados.

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Prós:
É levezinho, tendo em conta o que faz.
Combina perfeitamente com Dragonforce.
Sprites e efeitos fantásticos.
É estrondosamente épico sem fazer uso de cutscenes ou scripts.
Podem fazer uso dos detritos e veículos espalhados pelos mapas.

Contras:
Último boss por vezes desequilibrado (UGHN!!!).
O nosso pequeno protagonista, apesar de se controlar bem depois do choque inicial, podia ainda assim ter controlos um pouco mais reactivos.
É pequeno e os inimigos podiam ser mais variados.
O sistema de troca de armas pode enfurecer os mais sensíveis.
Os detritos espalhados pelo mapa metem-se no caminho em lutas com bosses.

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4 comments on “Análise: Intrusion 2 (PC-Steam)

  1. Se eu gostasse deste tipo de jogos até que experimentava… mas depois li o relato do boss final e… nope! 😀

    • É… O boss final é um trabalho autêntico e nem sempre pelas melhores razões. Mas no final podes crer que chorei lágrimas de alegria 🙂

      Mas o resto do jogo é bem divertido graças aos veículos, físicas e setpieces.

  2. Não sabia que o primeiro jogo era gratuíto, tenho de lhe dar uma olhadela antes de pegar neste Intrusion 2 que me parece ser mesmo interessante 🙂

    • Se jogares ao segundo, aqui vai uma dica: A música do jogo repete-se imenso, por isso aconselho-te a pores qualquer coisa pesada a tocar em background, e acredita que vais precisar da inspiração para passares o último boss 🙂

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