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A Jogar: Outrun 2006 – Coast 2 Coast (Xbox,PC,PS2,PSP,Arcadas)

Ultimamente, o tempo não tem estado de acordo comigo. Eu bem tento argumentar que gostava de me deslocar numa direcção mas o vento insiste em me empurrar noutra e quem acaba a sofrer mais com isto tudo é o meu nariz (vermelho que nem um carro italiano de luxo).

Vem mesmo a calhar, portanto, que no meio da mais bera das tempestades posso sempre encontrar refúgio num jogo divertido e repleto de céus azuis que está mais aberto a cooperar comigo que o vento e a chuva lá fora. E esse jogo é

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Confesso que nos últimos tempos tenho tido cada vez menos paciência para os típicos jogos arcada. Simplesmente não me fazia muito sentido gastar o meu precioso tempo em jogos que não me oferecessem mundos enormes para explorar, modos de história para serem completados ou pontos de experiência para gastar. Ou seja, eu esqueci-me. Esqueci-me que o que importa é a jogabilidade e que muitos destes jogos arcada são de tal maneira divertidos e estão de tal maneira afinados que acabam por me puxar vezes sem conta de volta ao seu mundo para “só mais uma corrida”.

Outrun 2 relembrou-me porque é que precisamos de céus azuis, cores saturadas, música alta e cabeças de Moai num simples jogo de corridas: porque faz parte do jogo. Outrun 2 (e, por consequente, a versão estendida que é o Outrun 2006) traz de volta a velocidade, diversão, visuais fantásticos e exagero geral que era comum nos jogos de corridas das máquinas de arcada da SEGA nos anos 90, a uma indústria que se estava rapidamente a esquecer do valor de um bom jogo destes.

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Afinal de contas, todos nós precisamos de escapismo.

Mas Outrun 2/2006 não é só o vosso típico jogo arcada. Em 2003, a SEGA já não era a mesma força, mas, por incrível que pareça, não foi por isso que deixou de dar a Outrun 2 a mesma atenção que deu a Daytona, Sega Rally ou Scud Race. Outrun 2 segue à risca a velha frase “fácil de aprender, difícil de conquistar[, difícil de largar]” e faz jus à temática paradisíaca do jogo, facilitando a vida do jogador o máximo possível, sem por isso sacrificar a dificuldade. Outrun 2 quer que se sintam o mais confortáveis possível debaixo do Sol e com uma moça bonita ao lado. Peguem num copo de limonada e desfrutem, por favor.

Ao contrário de outros grandes jogos de corridas arcada da mesma geração que se orgulham de velocidades supersónicas e de (muito) metal partido, Outrun 2 não poupa despesas e mostra a diferença que faz um jogo verdadeiramente equilibrado.

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Ao longo das várias pistas que percorrerem vão encontrar vários rivais a conduzirem Ferraris que não estão muito afim de serem ultrapassados e humilhados frente às muito sensíveis namoradas e vão ter que por o pé no acelerador se quiserem se manter na pista. Isto, se se passasse em qualquer outro jogo de corridas, seria resolvido, claro está, com uma grande dose de “AI Rubberbanding”, que é nada mais que o nome dado a uma técnica que consiste em… “Fazer batota e manter os carros controlados pela inteligência artificial sempre perto do jogador com um elástico invisível”. Fazer batota com a IA não é a mais elegante das técnicas mas é uma que é constantemente usada hoje em dia para complementar os rudimentares cérebros dos nossos oponentes digitais.

A diferença aqui é que Outrun 2 também ajuda o jogador, não só mantendo o nosso carro perto dos seus “inimigos” como também facilitando-nos a ultrapassagem. A diferença entre um jogo bom e um muito bom está muitas vezes na maneira como lidam com a IA dos vossos oponentes.

Ou seja, Outrun 2 sabe cooperar com o jogador, ao invés de o frustrar com dificuldade desequilibrada.

Rival de meu rival é meu rival. (PSP)

Rival de meu rival é meu rival. (PSP)

Outrun 2 pega no conceito do jogo de 1986 e actualiza-o para padrões mais modernos sem por isso sacrificar o que fez do original um clássico. A velocidade ainda lá está, e desta vez é ainda mais prevalente, fazendo até lembrar um pouco a outra série de carros que se orgulha de tanto metal partido (adivinhem).

Se já jogaram Burnout também há outro conceito que vos deve ser familiar: O drifting.

O drifting acontece aqui quando se deparam com uma curva enorme e começam a carregar no trigger esquerdo (L) com cuidado, dando origem aos maiores e mais satisfatórios drifts já vistos num jogo de corridas. Estes são, tal como a alta velocidade, parte integral da jogabilidade mas, apesar de vos ajudarem nas curvas, também vos podem custar segundos preciosos.

Como já tinha dito antes, Outrun 2 esforça-se para deixar o jogador o mais confortável possível e, deixem-me que vos diga, como fã de longa data de vários jogos de Rally, fazer um drift enorme no Outrun 2, enquanto o Sol me bate na cara e me passam pelos ouvidos os sons das ondas e a fantástica Splash Wave (nunca me canso de a ouvir, nunca!), é um graande prazer 😀

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Apesar da falta de automóveis de outras marcas, Outrun 2 também consegue nos oferecer uma selecção de carros diversificada sendo que certos carros são mais rápidos mas também vos obrigam a fazer um maior uso dos drifts enquanto que outros são mais mais lentos mas controlam-se tão bem que vos permitem passar por curvas sem tocar no travão. Os drifts são parte integrante do jogo mas a velocidade também. A escolha é vossa.

Claro que, para fazer o melhor uso possível destas técnicas convém jogar no PC com um comando da Xbox 360, na Xbox original (não se esqueçam de desligar a vibração) ou na sua sucessora (são capazes de existir problemas de compatibilidade, mas também podem jogar a versão Online, que, no entanto, não é tão completa). Também existem conversões para a PS2 (que mantém os mesmos gráficos fantásticos mas que vos deixa com drifts e acelerações digitais com os botões L2 e R2) e PSP (convém mudarem para a configuração que vos deixa acelerar e travar com o L e R, e vão precisar de se habituarem aos controlos).

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A versão PSP também se aguenta muito bem.

Este foco todo no drifting não deve ser estranho a qualquer pessoa que já tenha experimentado qualquer jogo da série Sonic & Sega All Stars Racing. Acontece que o estúdio responsável por esta série, a Sumo Digital, é o mesmo que esteve encarregue de, em colaboração com a SEGA AM2, pegar no monstro das arcadas lançado em 2003 e convertê-lo para a Xbox e consequentes plataformas.

Todas as conversões estão excelentes (se tiverem uma PSP 2000 ou superior experimentem correr o jogo em modo de 333 Mhz para um boost de fps) e esta versão 2006 inclui não só o jogo das arcadas original praticamente intacto como também a sua expansão Outrun SP que adiciona mais um percurso, com uma curva de dificuldade menos acentuada (leia-se: menos curvas apertadas) e um modo single player variado que não só vos permite correr em várias pistas contra os vossos rivais como também vos atira à cara uma série de mini jogos parvissímos que incluem OVNIs, bolas de praia e fitas coladas entre carros. Para os melhores profissionais, tentem desbloquear as pistas de Scud Race e Daytona USA 2.

Outrun 2 não só me relembrou dos prazeres dos jogos arcada coloridos e barulhentos como também da diferença que fazem os mais pequenos detalhes. Realmente, o design de jogos é uma arte.

Ah, e já vos disse que perdi umas 10 horas sem sequer tocar no modo single player, apenas jogando vezes sem conta na pista original? Ainda não me cansei da Splash Wave.

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Are you going to give up?

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5 comments on “A Jogar: Outrun 2006 – Coast 2 Coast (Xbox,PC,PS2,PSP,Arcadas)

  1. Ah… um dos expoentes maximos dos jogos de condução arcade! Lembro-me de em puto ir à feira popular onde joguei o Outrun original numa das barracas com arcadas. É das poucas coisas que me lembro da feira popular 😀

    O que se passou com a 3ª imagem? É uma versão Gameboy Advance? 😀

  2. O Outrun original foi o primeiro jogo arcade que joguei, no Jumbo da Maia. Sempre que lá ia com os meus pais, sentava-me uns minutos na máquina a fazer de conta que estava a jogar. Depois um dia lá tiveram pena de mim e deram-me uma moeda para jogar uma partida.
    Jogos de corrida para mim quanto mais arcade melhor, não tenho paciência para simulações. Tenho este jogo para a PS2, ainda não tive muito tempo de lhe dar atenção, mas pelo que joguei é mesmo muito divertido. Dos melhores jogos que a Sega lançou, numa altura em que a sua qualidade no geral deixava muito a desejar.

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