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Análise: Kenka Bancho – Badass Rumble (PSP)

Lembram-se da minha retrospectiva da série Kunio Kun? No final da segunda parte dessa retrospectiva deixei a flutuar uma imagem de outro jogo pertencente a uma série obscura, Kenka Bancho Bros. Tokyo Battle Royal para a PSP. Este é o mais novo episódio da saga Kenka Bancho a sair no Japão, mas, infelizmente, não existem planos para o lançamento de uma versão em Inglês. Em vez disso, vou ter que me contentar com Kenka Bancho 3, ou Kenka Bancho: Badass Rumble, como é conhecido por cá (e por cá digo a América do Norte), que até agora foi o único jogo da série a chegar a estes lados. Caso não tenham notado, o título da versão americana foi contribuído pela comunidade de fãs 🙂

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A série Kenka Bancho vai beber muita inspiração ao nosso velho conhecido River City Ransom e pode ser mesmo considerada uma espécie de sucessora espiritual a esse jogo. Não posso falar sobre os jogos mais novos da série visto que o meu Japonês não é assim tão bom mas certamente não deve ser difícil para o 3º jogo da saga superar o clássico da NES, certo? Certo?

Bem… O coração está no sítio certo e, tirando um pequeno grande problema, este episódio de Kenka Bancho consegue estar ao nível das aventuras de Kunio e amigos.

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O tutorial: Foi aqui que soube que ia adorar este jogo.

Somewhere in Asia…

Começam o jogo como o titular Badass, num comboio, juntamente com os vossos colegas de turma e o vosso destino é Kyouto (a versão digital de Kyoto), a cidade onde se vão reunir as escolas de todo o Japão para uma visita de estudo com uma semana de duração. Antes de chegarem a este ponto já tinham alcançado o rank de Bancho, ou seja, o “chefe” da vossa escola, mas, claro, como aspirantes a maior Badass do Japão, é do vosso interesse aproveitar esta semana para  procurar os restantes Banchos e vencê-los em combate de modo a tornarem-se na alma mais temida do Japão.

Kenka Bancho tem uma estrutura muito semelhante ao clássico River City Ransom. Basicamente, é um scrolling Beat’em Up que, ao invés de tomar lugar ao longo de vários níveis, oferece-vos uma cidade, desta vez em 3D, para explorarem como quiserem à procura de rufias, completa com lojas de vários tipos. No entanto, ao contrário do jogo da NES, aqui ganham pontos de experiência e movimentos novos à medida que esbofeteiam os vários Chabazos que encontram (estes são os rufias mais numerosos e servem como lacaios aos mais importantes Banchos, que funcionam como Bosses) e as lojas servem agora para comprar itens, roupa, bilhetes de taxi ou até cortar o cabelo.

Kyouto Memories_0005

Assim que chegam a Kyo-er, Kyouto é vos oferecido um quarto na Yamamoto-ya Inn. Esta vai ser a vossa base durante a semana e vão ser obrigados a voltar lá todos os dias às 19:00 para passarem a noite. No entanto, durante o dia, cabe a vocês explorar a cidade de Kyouto à procura de sarilhos. Estes dias são dividos em duas partes: a manhã, que normalmente está reservada para vistas de estudo (onde tomam lugar grande parte dos eventos da história), e a tarde, que podem ocupar explorando a cidade à procura de Chabazos e Banchos. Se quiserem, podem até ignorar completamente as visitas de estudo do período da manhã para perderem mais tempo a explorar e a ganhar experiência. A falta de tempo não se torna um problema, visto que são levados automaticamente para a Inn quando chegam as 19:00 horas e até são avisados 30 e 10 minutos antes, já para não falar que são também incentivados a repetir o jogo várias vezes, guardando os vossos stats, de modo a encontrarem e combaterem todos os Banchos no curto espaço de tempo de uma semana.

O jogo permite fotografar os momentos mais memoráveis da vossa jornada... Com o texto de copyright, claro.

O jogo permite fotografar os momentos mais memoráveis da vossa jornada… Com o texto de copyright, claro.

Infelizmente, ao contrário de RCR, Kenka Bancho falha na parte mais importante de um Beat’em Up: os combates. Por alguma razão, o combate é extremamente rígido e muitos níveis abaixo em relação ao resto do jogo. Cada ataque que dão, cada soco e cada pontapé é vítima de um atraso entre o premir do botão e a animação em si, que normalmente continua muito depois de terem dado o dito soco/pontapé, fazendo com que seja incrivelmente fácil falhar um ataque e ficar segundos preciosos à espera com a mão no ar a desesperar enquanto o vosso sortudo oponente prepara um punho destinado à vossa cara.

Já não jogo WWF No Mercy à anos. Tinha saudades disto.

Já não jogo WWF No Mercy à anos. Tinha saudades disto.

No entanto Kenka Bancho redime-se. Por muito horrível que pareça, o combate em Badass Rumble não é suposto ser mau. Cada vez que sobem um nível são recompensados com ataques novos que podem depois ser aplicados à vossa personagem na Inn ou até mesmo durante as viagens de autocarro e metro. Isto permite-vos customizar a vossa personagem com combos e ataques especiais específicos, bem ao estilo de um típico jogo de Wrestling (e não faltam ataques desse estilo aqui também para quem prefere grabs e piledrivers a socos e pontapés).

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Sim, existem Hadokens.

Estes ataques também beneficiam de efeitos especiais muito bons e de uma sensação de impacto bem conseguida, que, embora não sejam o suficiente para compensar os combates rígidos, sempre ajudam um bocado. Enfim, o combate pode não ser o melhor mas compensa-vos o suficiente para continuarem à procura de cromos para lutar.

E cromos não vão faltar.

The Art of Manliness

Mas não são só as imensas opções de customização e os elementos RPG viciantes que salvam Badass Rumble do seu combate medíocre. O que o salva é a personalidade.

Tal e qual como River City Ransom, Badass Rumble faz a decisão sensata de gozar consigo mesmo e com as tropes típicas do género, e, felizmente, este humor parvo afecta todas as áreas do jogo, desde a história (“será que um verdadeiro badass tem tempo para o amor?”), passando pelas personagens (desde verdadeiros badasses a verdadeiros cromos) e acabando na jogabilidade.

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O melhor exemplo disto é a forma como lidam com os combates. Ser um Bancho requer confiança, Badassitude e, acima de tudo, disciplina. Por esta razão não podem simplesmente atacar um Chabazo qualquer na rua sem aviso ou arriscam-se a ser considerados também Chabazos (entre outros ranks que podem também ganhar dependendo da vossa performance a jogar).

Não, de modo a começar um combate têm que se aproximar de um Chabazo e disparar incríveis raios de manliness com o vosso olhar mortífero. Se tudo correr bem, estes irão depois colidir com os respectivos raios provenientes das pupilas dos vossos inimigos, sinalizando assim que pretendem iniciar um “combate”.

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É neste momento que se inicia o ancião ritual do “Smashtalk”. Esta arte passada através de várias gerações antecede cada combate e pode tanto vos dar o privilégio de ser o primeiro a atacar (se sucederem) ou vos deixar levar o primeiro soco (se falharem). O Smashtalk funciona como um pequeno mini jogo antes de cada combate onde vos é dada uma frase que têm que usar contra a frase do vosso oponente e têm que, em poucos segundos, repetir a frase pressionando nos botões certos e juntando as palavras certas.

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Se forem audazes o suficiente podem até tentar, nestes parcos segundos, encontrar as mesmas palavras usadas pelo vossos oponentes ou seleccionar outras que formem uma frase original ainda melhor, o que acaba por vos dar uma vantagem inicial maior no combate.

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Claro que se falharem vão acabar com algo como “Yo’mommas lullaby is rad.” ou “Your love is mine.”.

Após derrotarem os Chabazos, estes deixam cair dinheiro, presentes (sim) ou até itinerários, que vos permitem assinalar no mapa em que área, dia e altura do dia um determinado Bancho vai aparecer para o poderem confrontar. Claro que têm mais hipóteses de apanhá-los a todos se repetirem o jogo e seguirem outras rotas. Alguns destes Banchos também já meteram mãos à obra e conquistaram áreas de outros rivais, o que faz com que, quando derrotados, vos dêem mais áreas.

Ka-Boooom

Todos estes factores são depois contados pelo jogo e determinam não só se estão mais perto de um respeitável Bancho ou de um medíocre Chabazo mas também se recebem um ou outro determinado rank ou se são admirados o suficiente para serem ignorados por Chabazos mais fracos ou acompanhados por alguns dos Banchos que derrotaram.

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Não fosse o ambiente  fantástico do jogo, a variedade de opções e o facto de ser portátil, este seria apenas mais um Beat’em Up genérico com um sistema de combate medíocre. Felizmente, este jogo é tudo menos genérico e, tal e qual muitos outros jogos que passam por aqui, é definitivamente mais que a soma das suas partes.

Isto faz marginalmente mais sentido no jogo em si.

Isto faz marginalmente mais sentido no jogo em si.

Além do modo principal também têm acesso ao modo Night Out, que não é nada mais que andar na rua à noite à procura de rufias para ganhar pontos de experiência, sozinho ou em co-op, sem qualquer história ou NPCs a chatear. Tendo em conta que o forte do jogo é mesmo tudo o que existe à volta destas lutas, não existe grande razão para sequer tocarem neste modo, que é desprovido da personalidade do modo principal.

Prós:

  • História e personagens ridículas e cheias de personalidade;
  • …e o resto do jogo também, graças aos raios de manliness, o Smashtalk e o fightsizzle;
  • Podem customizar a personagem e os ataques;
  • Cidade livre e elementos de RPG viciantes ao estilo de River City Ransom que funcionam bem numa portátil.

Contras:

  • O combate, apesar de todos os extras, é surpreendentemente mau graças ao lag nos ataques.
  • Falta co-op no modo de história (mas existe no Tokyo Battle Royal!).

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“Look, a three-headed monkey!”

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2 comments on “Análise: Kenka Bancho – Badass Rumble (PSP)

  1. Confesso que desconhecia este título por completo! Mas tem todo o aspecto de ser uma hidden gem e possivelmente daqueles jogos que iria passar bastantes horas de volta dele.

    • E é 🙂 O combate é mauzinho mas vale pela piada das personagens e pela quantidade de coisas para customizar. Se fosse numa PS2 não valeria a pena mas numa portátil é óptimo para perder tempo.

      É pena as sequelas não terem sido traduzidas. Se o combate for melhor nos jogos seguintes ficamos a perder uns excelentes jogos…

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