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A Ver: Community

Eu não tenho por norma o hábito de repetir as coisas. Sou impaciente demais para rever qualquer coisa que não envolva um Flux Capacitor ou dinossauros geneticamente modificados (não, não estou a falar desses). No entanto continuo a voltar a Community vezes sem conta, e nem sempre por causa da Gillian Jacobs.

Criada por Dan Harmon, Community baseia-se (com muitos exageros, claro) nos tempos em este frequentou uma universidade comunitária e um grupo de estudo. Para Harmon, foi aqui que ele aprendeu, mais que tudo, a deixar de ser egocêntrico e dar o devido valor à socialização com outras pessoas, mesmo que estas não tenham, à primeira vista, nada em comum consigo.

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A história começa assim com a chegada de um advogado arrogante – Jeff Winger – à dita universidade, à procura de uma escapatória fácil de uma suspensão após ser descoberto que afinal não se tinha graduado na Universidade de Columbia, mas sim, aparentemente, em Colômbia, o pais.

Eventualmente Jeff dá de caras com o resto do grupo e, embora seja um tipo experto que consegue muitas vezes levar a sua avante enquanto engana toda a gente, vai-se apercebendo, ao longo do tempo, que as coisas não são assim tão simples e que até ele precisa da ajuda dos “cromos”.

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Chevi Chase como a melhor versão do Beastmaster.

Community começa por ser uma comédia inteligente que aproveita a arrogância da personagem principal e as suas aventuras com o grupo para subverter as típicas tropes do género.

No entanto, a série não tem medo de ir onde outras comédias nem se atrevem, a palhaçada acaba por escalar e, por volta da 3ª temporada já temos em mãos uma coisa completamente diferente do que é costume passar na televisão, com narrativas incrivelmente exageradas e twists que dariam a um redator da TVTropes dores de cabeça, e tudo isto sem perder de vista as personagens e o objectivo inicial da história.

Existem séries que se aproveitam de referências à pop culture e aos anos 80 para se identificarem com os “nerds” ou para uma ou outra paródia, mas Community consegue fazer uso deste material de forma menos barata, e, na maior parte das vezes, este humor “meta” complementa as histórias perfeitamente e, apesar do ridículo, encaixa bem no universo que foi criado, chegando às vezes, e especialmente na 3ª temporada, a criar verdadeiros momentos de ficção científica ou algumas das melhores narrativas a serem encontradas num guião de uma série de comédia.

"Yippie kay yay"

“Yippie kay yay”

A maior parte destas referências vêem do que pode ser considerada quase como a segunda personagem principal da série, Abed, um rapaz de 20 anos viciado em pop culture que tem, mais do que o vosso nerd habitual, uma certa dificuldade em interagir com outras pessoas.

Apesar de ter no mesmo grupo um melhor amigo, Abed não é exactamente um expert em emoções e comportamentos sociais, acabando muitas vezes apenas por interpretar as aventuras do grupo como tropes típicas de uma série ou filme passado numa universidade (estão a ver? Humor meta).

Apesar de ter os seus “problemas”, Abed raramente está errado e nunca é posto de parte pelo resto do grupo. A maneira de ser de Abed não deixa de ter as suas consequências (cómicas) mas, na minha opinião, a série faz um bom trabalho em reconhecer o “estilo” de Abed sem com isso o deitar abaixo.

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Yup, isto é um episódio, e sim, aquele urso é o Chevi Chase.

A inteligência, irreverência e atenção ao detalhe de Community têm-lhe acumulado fãs atrás de fãs e neste momento pode gozar do estatuto de série de culto um pouco por toda a web. Deixo-vos aqui em baixo com uma mini montanha de links:

Wikipedia

TVTropes

Journey to the Center of Hawkthorne

Beetlejuice, Beetlejuice, Beetlejuice

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2 comments on “A Ver: Community

  1. […] vê no grande ecrã sem grande esforço (coitados dos filmes de comédia que têm que competir com Community e Parks & […]

  2. […] Harmon, seu sacana magnífico. Primeiro obrigaste-me a ver Community com as tuas referências inteligentes, irreverência e morais que realmente me interessam. Agora […]

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